A tributação de dividendos prevista na reforma tributária entregue ao Congresso, a pesquisa que mostra a polarização acentuada entre o ex-presidente Lula e o presidente Jair Bolsonaro em 2022 e as incertezas políticas com a apuração em torno da compra da vacina Covaxin abalaram os mercados nesta sexta-feira (dia 25).

A Bolsa encerrou o dia em queda de 1,74%, a 127.255 pontos, o dólar subiu 0,67%, a R$ 4,93, e o Ifix (Índice de fundos imobiliários), afetado por trecho da proposta que prevê tributação de rendimentos de ativos imobiliários, caiu 2,09%.

O que aconteceu com a Bolsa? O governo brasileiro encaminhou hoje à Câmara dos Deputados sua proposta de reforma do Imposto de Renda, prevendo redução da alíquota sobre empresas, aumento do limite de isenção para pessoas físicas e introduzindo tributação sobre dividendos pagos aos investidores, com alíquota de 20%.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, defendeu a taxação dos dividendos aos mais ricos, considerando “inadmissível” que bilionários paguem zero nessa rubrica, enquanto assalariados sentem o maior peso dos impostos.

“Além dos dividendos, foi confirmado também o fim da dedutibilidade do Juros sobre Capital Próprio, que era contabilizado como despesa dedutível”, aponta Rafael Ribeiro, da Clear Corretora. “Em termos práticos, as duas medidas acabam impactando o mercado de renda variável brasileiro, uma vez que haverá a diminuição de fato do valor recebido em proventos pelos acionistas”.

Outro ponto que deixou os investidores preocupados foi o depoimento do deputado Luís Miranda (DEM-DF) e do seu irmão, o servidor do Ministério da Saúde Luís Ricardo Miranda, na CPI da Covid. O deputado disse que apresentou, junto com seu irmão, diversas irregularidades sobre o processo de compra da Covaxin, do laboratório indiano Bharat Biotech, ao presidente Jair Bolsonaro em uma reunião no Palácio da Alvorada.

A pesquisa do instituto Ipec, que voltou a apontar para uma polarização das eleições de 2022 entre o ex-presidente Lula e o presidente Jair Bolsonaro também capturou a atenção dos investidores.

O que aconteceu com os fundos imobiliários? A queda dos fundos imobiliários também relacionada com a entrega de proposta de reforma tributária ao Congresso. Segundo Flávio Luciano Freiras de Oliveira, sócio fundador da Zahl Investimentos, o texto prevê a tributação de 15% dos rendimentos dos ativos imobiliários, que até então eram isentos de Imposto de Renda, a partir de 2022.

“A queda foi bastante generalizada”, afirmou Oliveira. “A contrapartida à tributação seria a redução de imposto sobre ganho de capital, que é de 20%, para 15%, mas aparentemente o mercado não teve uma reação muito positiva em relação a isso. Isso porque muitos dos investidores não estão tão preocupados só com elevação das cotas, com o ganho de capital, e sim com gerar renda através dessa categoria de produtos”.

Para o especialista, o texto pode acabar sofrendo alterações. “Os fundos imobiliários são grandes compradores de ativos imobiliários, e isso acaba movimentando a construção civil, que é um dos setores que mais empregam”.

O que aconteceu com o dólar? O dólar subiu também na esteira da introdução de tributação sobre dividendos pagos aos investidores.

Thomás Gibertoni, analista da Portofino Multi Family Office, explicou à Reuters que “o mercado de capital fica menos atrativo quando você acaba com a tributação privilegiada, quando se trata de grandes investidores”.

Ele disse que a mudança nos dividendos “pode levar a uma saída de capitais do mercado” doméstico, mas ressaltou que enxerga a alta do dólar nesta sexta-feira apenas como um “susto inicial” em reação à notícia: “O mercado deve se adequar às mudanças mais à frente.”

Maiores altas:

Bradespar (+4,28%)
Vale (+1,23%)
Banco Inter (+1,16%)

Maiores baixas:

Ambev (- 5,57%)
Multiplan (- 4,53%)
Yduqs (- 4,20%)

(Com a Reuters)

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