A pauta de Brasília voltou a dar as caras na agenda de eventos importantes para a economia. Depois de semanas com o mercado sob influência quase exclusiva dos indicadores econômicos e dos resultados das empresas, a discussão do parecer da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do Pacto Federativo, prevista para esta segunda-feira, vai dar pistas sobre o cumprimento do teto dos gastos e sobre a criação de um novo programa social — embora o próprio presidente Jair Bolsonaro tenha dito que a ideia do Renda Brasil estava morta e enterrada. Ainda na agenda de Brasília, é possível que o governo apresente o escopo da reforma tributária no final da semana.

A ata do Copom, que tratará da visão do Banco Central sobre o cenário de juros, e a prévia de inflação de setembro são outros eventos que devem mexer com o mercado. Veja abaixo a programação da semana, por assunto:

PEC do Pacto Federativo e Reforma Tributária

Está prevista para segunda-feira (21) a apresentação do parecer preliminar da PEC do Pacto Federativo. O projeto pretende discutir a realocação de recursos da União, com a extinção de alguns fundos, por exemplo, para abrir espaço para novas despesas no orçamento federal. O relator do projeto, o senador Marcio Bittar (MDB-AC), prometeu incluir a proposta do Renda Brasil na discussão, e disse que foi autorizado pelo presidente Bolsonaro a retomar o assunto.

Na semana passada, Bolsonaro disse que a criação do programa social era um assunto proibido. A irritação do presidente veio após a equipe econômica sugerir o congelamento do reajuste das aposentadorias para custear o Renda Brasil. Mas o atual chefe de Estado parece ter voltado atrás, autorizando que o Congresso discutisse o tema na PEC do Pacto Federativo.

“As questões envolvendo as contas do governo têm ganhado muita visibilidade. Os investidores estarão atentos ao rearranjo orçamentário, à criação do novo programa social e, principalmente, à preservação do teto de gastos”, diz Lucas Carvalho, analista da corretora Toro Investimentos.

O foco na situação fiscal do governo federal é grande, pois o grau do endividamento do governo tem relação com a política de juros e, consequentemente, no retorno e risco de vários investimentos públicos e privados.

Outro evento que deve mexer no mercado é a proposta da reforma tributária. A equipe econômica tem prometido apresentar algo.

Falando em juros… a semana também tem ata do Copom

O Copom (Comitê de Política Monetária) vai divulgar a ata da sua última reunião, realizada na semana passada, em que foi decidida a manutenção da taxa básica de juros, a Selic, em 2% ao ano. A ata vai detalhar os motivos da decisão, além de expor as projeções do Banco Central para o cenário de juros e inflação.

Com a alta recente no preço dos alimentos, um possível repique inflacionário pode dar um ponto final na política de juros baixos. Isso porque a Selic, que influencia o custo do crédito e o retorno dos investimentos, é uma ferramenta usada pelo Banco Central para controlar o avanço dos preços no país.

“Estão crescendo os receios sobre impacto dos preços na Selic, então faz sentido acompanharmos o que virá na ata do Copom”, diz Carvalho.

Prévia da inflação de setembro

Embora os dados do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de agosto já tenham mostrado uma alta nos preços, especialmente nos de alimentos, os números de setembro devem mostrar que o ritmo da inflação está se intensificando. Nas últimas semanas, itens como arroz, óleo de soja e carne registraram alta de até 30%, e o IPCA-15 (uma espécie de prévia quinzenal do índice inflacionário) deve revelar qual o impacto dos alimentos na média dos preços.

“Na última sexta-feira, a prévia do IGP-M (um índice que mede os preços aos produtores), veio acima do esperado e impactou a curva de juros futura, por causa da expectativa de piora no cenário de inflação. Se o IPCA-15 repetir esse resultado, podemos ver um efeito similar”, diz Carvalho.

IPOs

Duas empresas devem estrear na bolsa na semana. Na sexta-feira (dia 25), o banco de investimentos BR Partners e a companhia de transporte hidroviário Hidrovias do Brasil vão tocar o sino da B3, iniciando a negociação de suas ações. O prazo para a reserva de papéis da empresa de logística é no dia 21 de setembro, e o do banco é no dia 22 de setembro.

A faixa indicativa das ações da BR Partners é de R$ 15,17 a R$ 18,96 e da Hidrovias do Brasil é de R$ 7,56 a R$ 8,88.

Bônus: a briga do TikTok e a conjuntura nos Estados Unidos

A questão dos apps chineses TikTok e WeChat segue indefinida. Após estabelecer este domingo (20) como data limite para que um acordo sobre a transferência de controle do app da ByteDance para um consórcio de empresas dos EUA fosse fechado, Donald Trump anunciou na noite do sábado (19) que deu sua aprovação para a proposta feita pela Oracle (que tem a participação do Walmart). Dessa maneira, os apps continuam disponíveis na Apple Store e na Play Store.

Na terça-feira (dia 22), o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, discursará mais uma vez. O chefe do Banco Central dos EUA deve falar do cenário de recuperação da economia americana, e da importância dos juros baixos para essa retomada. Caso a taxa básica de juros do país permaneça próximo de zero, as bolsas americanas e o Ibovespa devem ser impulsionados — principalmente pela migração dos investidores para ativos de melhor rentabilidade.

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