Apesar da forte crise econômica que se seguiu ao avanço da pandemia, a Bolsa se recuperou nos últimos meses de 2020 e fechou esta sexta acima dos 125 mil pontos, maior patamar da história. No exterior, os principais índices também vêm batendo recorde.

Afinal de contas, por que as bolsas estão subindo tanto, apesar de o coronavírus ainda estar em franca expansão? Veja abaixo os principais motivos para esse otimismo, lembrando que o mercado financeiro sempre reage no presente, precificando imediatamente as ações, ao que projeta que vai acontecer no futuro.

Eficiência das vacinas

Em novembro, o jogo começou a virar para os mercados acionários quando grandes laboratórios começaram a divulgar a conclusão da fase 3 das suas vacinas, apontando para uma elevada eficiência dos imunizantes. A Pfizer e a Moderna, por exemplo, informaram um nível de proteção acima de 90%, e muitos países já iniciaram a imunização da sua população. Nesta quinta (dia 7), o governo do Estado de São Paulo anunciou uma eficácia de 78% da Coronavac.

Após as fortes quedas do auge da crise, o mercado passou a contar com um horizonte em que a pandemia terá fim, o que elevou o apetite dos investidores internacionais para se arriscarem.

“Com a vacinação, a partir do meio do ano as pessoas devem voltar a sair, a viajar”, avalia Vinicius Soares, diretor de produtos da plataforma Monetus. “Shoppings e outras empresas ligadas ao consumo presencial devem fazer frente a uma demanda reprimida muito grande”.

Juros baixos

O cenário de juros baixos não se restringe ao Brasil. Em todo o mundo, os países reduziram suas taxas básicas e aprovaram inúmeros pacotes de estímulos, injetando dinheiro na economia em uma tentativa de contornar a forte crise causada pelo isolamento social imposto pela pandemia.

Quando as taxas de juros caem, o investidor é naturalmente “empurrado” para investir em ativos de maior rentabilidade, como as bolsas de valores de países emergentes.

Uma reportagem da Bloomberg mostrou que os bancos centrais do mundo todo estão determinados a manter suas taxas de juros em níveis baixos neste ano, mesmo com a expectativa de aceleração da economia global. De acordo com a agência, a expectativa é que somente Argentina e a Nigéria elevem suas taxas de juros neste ano.

“Onda azul” traz expectativa de mais estímulos nos EUA

Após o forte tombo entre o final de outubro e início de novembro, os mercados americanos se recuperaram com força após a longa apuração de votos para definição das eleições nos Estados Unidos, com a vitória do democrata Joe Biden.

Apesar de tradicionalmente o mercado financeiro preferir candidatos republicanos, a crise atual pede estímulos, a uma vitória democrata acaba garantindo que mais recursos serão liberados, o que também ajuda a animar os investidores.

Esse cenário ganhou ainda mais impulso com a recente vitória democrata também no Senado –o partido de Biden já comandava a Câmara, e agora a chamada “onda azul”, ou seja, o domínio dos democratas nas duas casas e no poder executivo se concretizou.

Para o Brasil, essa é considerada uma boa notícia: mais dinheiro injetado na economia dos EUA tende a enfraquecer o dólar e elevar a busca dos investidores por ativos de maior rentabilidade, em países emergentes. Por outro lado, a dúvida que fica é: se esse panorama de gastos mais elevados bater na inflação, o Fed (banco central americano) pode elevar os juros básicos dos EUA futuramente, o que reduziria o fluxo de investimentos para emergentes.

A bolsa ainda está barata em dólar

Nesse ambiente de maior previsibilidade e liquidez, os investidores estrangeiros correram para os mercados emergentes, como o Brasil. Essa volta dos players de outros países foi fundamental para levar a bolsa brasileira para o mesmo patamar do pré-pandemia.

“Houve uma grande entrada de capital de estrangeiros, que se sentiram muito mais confiantes para voltar a investir no Brasil. Houve uma retomada da confiança”, explica Lucas Taxweiler, especialista em investimentos da plataforma Magnetis.

Apesar da alta a um patamar recorde recentemente, analistas lembram que, em dólar, a bolsa ainda está barata porque a moeda americana subiu muito em relação ao real em 2020. “Ainda falta cerca de 20% para a bolsa recuperar seu valor em relação a janeiro de 2020”, aponta Rodrigo Knudsen, gestor da Vitreo.

Mas afinal, esse otimismo é excessivo?

Tudo vai depender do que acontecerá com o avanço da infecção no mundo, como as novas cepas do vírus descobertas em circulação na Europa. Há um outro fator importante no caso da bolsa brasileira: a disposição do governo de dar continuidade à agenda de reformas. O cenário atual, entretanto, é positivo.

“O cenário para 2021 é bem parecido com o que o mercado projetava para 2020 antes da pandemia. É um cenário otimista: a pandemia vai acabar por causa das vacinas, a bolsa em dólar ainda está barata para os estrangeiros, acreditamos que as reformas vão sair”, diz Knudsen, da Vitreo.

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