As projeções para o Ibovespa ao final do ano foram cortadas por instituições financeiras, com o aumento da taxa de juros e a deterioração do cenário econômico do país. Se no início do ano, as estimativas eram de que a bolsa chegaria à casa dos 150 mil pontos, agora estão mais próximas do intervalo de 120 mil a 130 mil pontos.

No último pregão de 2020, o Ibovespa fechou em 119.017 pontos.

InstituiçãoProjeção anteriorProjeção atual
Itaú152 mil pontos120 mil pontos
Órama126 mil a 128 mil pontos125 mil pontos
Safra145 mil pontos121 mil pontos
XP135 mil pontos130 mil pontos

Por que as projeções caíram?  O Itaú fez o corte mais agressivo: passou dos 152 mil pontos para 120 mil ao final do ano, influenciados pela piora do cenário macroeconômico, com juros e inflação mais altos.

No Safra, passou de 145 mil para 121 mil pontos. Em relatório, o banco diz que foram considerados o cenário macroeconômico, com inflação mais alta e PIB (Produto Interno Bruto) menor, somados a incertezas sobre o equilíbrio fiscal e a crise hídrica.

O mercado internacional também influenciou nas revisões. “As projeções refletem a mudança de comportamento das bolsas lá fora. Dentro dos nossos modelos, reduzimos a projeção para 125 mil pontos. Achamos que como esses preços estão mais convidativos hoje, o mercado deve conseguir algumas barganhas, trazendo um fim de ano com altas”, afirma Alexandre Espírito Santo, economista-chefe da Órama Investimentos.

Já a XP, é a instituição com uma projeção mais otimista, de 130 mil pontos – mas ainda assim o corte foi de 5 mil pontos. “Estamos atualizando o preço-alvo do Ibovespa para 130.000 para o final do ano de 135.000 anteriormente, levando em consideração o contínuo aumento do custo de capital (taxas de juros de longo prazo) e uma queda leve nas projeções de lucros”, afirma em relatório.

“Com a Selic mais alta, a taxa de desconto das ações é maior, consequentemente o valor atual de compra se torna menor. A alta inflação também influencia na revisão, já que está ditando um ritmo menor de recuperação das economias lá fora. Como grande parte das empresas da nossa bolsa são exportadoras de commodities, com grande peso do nosso índice, a projeção foi revisada”, afirma Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos.

Apesar das reduções, Espírito Santo considera que as empresas da bolsa brasileira são sólidas e, por isso, ainda esperam um patamar maior ao final do ano. Nos últimos dias, o Ibovespa tem se mantido entre 112 mil e 113 mil pontos.

“A pandemia fez com que as empresas fizessem ajustes importantes, mas estão lucrativas e são sólidas. Na última semana, vimos quedas nas empresas relacionadas a commodities, muito pelo cenário internacional, mas eu acho que aparecem boas oportunidades na hora de comprar”, afirma Espírito Santo.

Há chances de a projeção cair ainda mais? Sim, mas Moliterno diz que é difícil de acontecer, porque o cenário até o final do ano já foi precificado.

“A revisão das casas já contempla o aumento dos juros até o final do ano. O cenário pode mudar se tivermos algo muito fora do radar. Já para o ano que vem, as instituições vão poder analisar os balanços das empresas do terceiro e quarto trimestres para fazer novas projeções”, afirma Moliterno.

Para Espírito Santo, alguns fatores que podem prejudicar o cenário são uma queda forte nas bolsas internacionais, uma mudança de rumo nas políticas monetárias globais e a questão fiscal.

“Ao que tudo indica, estão tentando organizar uma saída para os precatórios, tem o resultado da CPI da covid. Precisamos ver como isso vai ficar politicamente, porque hoje existe muito ruído. Isso acaba sempre sendo um fator que traz incômodo e dúvidas aos investidores”, afirma Espírito Santo.

Como saber se o Ibovespa está caro ou barato? Na hora de saber se está caro ou barato, não é tão importante olhar para a projeção do Ibovespa em si, mas para um outro indicador que considera o preço da ação e o lucro da empresa. Quanto menor a relação entre preço e lucro, significa que o índice está mais barato.

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