Após fala do novo presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, que prometeu reduzir a volatilidade de preços dos combustíveis sem desrespeitar a paridade da importação, as ações da Petrobras dispararam e colocaram a Bolsa em terreno positivo nesta segunda (dia 19). No meio da tarde, entretanto, o Ibovespa voltou a cair, fechando em queda de 0,15%, a 120.933 pontos.

O dólar teve um dia de desvalorização no mundo todo – e encerrou o pregão em São Paulo em queda de 0,57%, a R$ 5,5538.

O que aconteceu com a Bolsa? Pela manhã, o Ibovespa operou entre perdas e ganhos, mas se recuperou após declarações do general Joaquim Silva e Luna, novo presidente da Petrobras, de que buscará reduzir a volatilidade dos preços de combustíveis sem “desrespeitar” a paridade de importação.

As ações da estatal ganharam mais de 5%, com algumas das maiores altas do pregão, e puxaram o índice, que já vinha em uma sequência de altas da semana passada. Em um discurso de pouco mais de 15 minutos, no qual ressaltou que deve “chegar ouvindo mais e falando menos”, o general da reserva defendeu que é preciso conciliar “interesses de consumidores e acionistas”.

No meio da tarde, entretanto, o índice não resistiu e perdeu valor, ficando em território negativo.

A analista Paula Zogbi, da Rico Investimentos, destacou que decisão sobre o Orçamento de 2021 a ser tomada na quinta-feira é o grande ponto de atenção. “Sem uma definição que demonstre controle da situação e priorização da saúde fiscal, aumentam os riscos do teto de gastos ser desrespeitado”, afirmou.

Nesse contexto, o Congresso Nacional votará projeto de lei que, com o aval do governo, busca resolver o impasse em torno do Orçamento, ainda não sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro.

Entre os destaques do dia, além da citada Petrobras, Braskem valorizou-se 5,62%, ampliando a alta em abril e no ano, em meio a expectativas relacionadas à venda da participação da Novonor (ex-Odebrecht) na petroquímica. No fim de semana, o Estadão publicou que o Mubadala, fundo soberano dos Emirados Árabes, conversa com a Novonor sobre uma possível aquisição da sua fatia de 50,1%.

Por outro lado, Lojas Renner caiu 3,56%, após anunciar oferta primária de ações, que deve precificar em 29 de abril e pode movimentar até R$ 6,5 bilhões. Na sexta-feira, as ações dispararam em meio a especulações de uma oferta de ações, e a companhia confirmou durante o pregão que avaliava um follow-on.

A oferta, na visão de analistas do Credit Suisse, sugere mudança de atitude da varejista em relação a movimentos de aquisição, acrescentando que o follow-on deixará a empresa com um caixa significativo para partir para compras.

O que aconteceu com o dólar?  O dólar abandonou a alta de mais cedo e passou a cair ante o real no fim da manhã desta segunda-feira, sucumbindo ao viés externo de enfraquecimento da divisa americana, enquanto que no plano doméstico as atenções seguiam voltadas para o desfecho do Orçamento, que deve ocorrer no máximo até quinta.

Por aqui, o dólar à vista caiu 0,57%, a R$ 5,5538 na venda, após variar entre R$ 5,6232 (+0,67%) e R$ 5,5278 (-1,03%). É o menor patamar desde 23 de março (R$ 5,5168).

De forma geral os investidores globais seguem repercutindo a percepção de que o Fed (banco central dos Estados Unidos) manterá estímulos por tempo indeterminado, enquanto a retomada econômica no mundo amplia a demanda por ativos mais arriscados, caso das moedas emergentes – grupo do qual o real faz parte. Apesar de toda a volatilidade, a divisa brasileira tem seguido o comportamento de seus pares mais recentemente.

Mas, do lado doméstico, o clima de incerteza e expectativa se mantém. A novela envolvendo o Orçamento de 2021 – considerado inexequível na forma como aprovado pelo Congresso, com subestimativa de despesas obrigatórias – domina o foco dos mercados, que ficam à espera de uma resolução.

“Devemos ter uma solução para o Orçamento essa semana”, disse em post no Twitter Rafaela Vitoria, economista-chefe do Banco Inter. “Além do esperado acordo, o controle da pandemia e reabertura da economia devem melhorar as perspectivas para o resultado fiscal”, acrescentou, mas ressaltou que essas previsões dizem respeito apenas ao curto prazo, uma vez que o país pode voltar a apresentar riscos às contas públicas este ano e em 2022.

Maiores altas:

Petrobras PN (+5,80%)
Braskem (+5,62%)
Petrobras ON (+5,03%)

Maiores baixas:

Hering (-3,98%)
Eneva (-3,60%)
Lojas Renner (-3,56%)

(Com a Reuters)

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