O desânimo dos mercados americanos com informações de que o presidente dos EUA, Joe Biden, apresentará um projeto para quase dobrar os impostos pagos pelos mais ricos continuaram o Ibovespa, que fechou nesta quinta (22) em queda de 0,58%, a 119.371 pontos.

No dia limite para a sanção pelo presidente Jair Bolsonaro do Orçamento de 2021, o dólar caiu 1,73%, a R$ 5,4556.

O que aconteceu com a Bolsa? Após informações de que o presidente dos EUA, Joe Biden, apresentará um projeto para elevar impostos sobre a renda dos americanos mais ricos, todos os índices americanos passaram a cair.

De acordo com agências de notícias, a proposta, que quase dobra impostos sobre ganhos de capital para quem ganha mais de US$ 1 milhão, na próxima semana. O objetivo seria financiar grandes investimentos em creches, educação pré-escolar universal e licença remunerada aos trabalhadores.

O Ibovespa, que pela manhã registrou alta, virou para queda após a notícia, seguindo as bolsas dos EUA.

A bolsa brasileira também foi pressionada pela queda das ações da Vale, que tombaram após após interdição de um terminal da Ilha da Guaíba pela prefeitura de Mangaratiba (RJ).

O que aconteceu com o dólar? A moeda americana sofreu a maior baixa percentual diária desde 31 de março (-2,23%) e o menor nível desde 24 de fevereiro (R$ 5,4219).

Com isso, a moeda engatou a sétima desvalorização, período no qual perdeu 4,72%. A série negativa é a mais longa desde as mesmas sete quedas consecutivas registradas entre 5 e 13 de dezembro de 2016.

O dólar passou a cair acentuadamente contra o real no pós-feriado, depois que o presidente Jair Bolsonaro sancionou ontem a noite o projeto de lei que altera a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e abre caminho para a aprovação do Orçamento de 2021.

Aprovado pelo Congresso Nacional na segunda-feira, o projeto destrava a discussão em torno das contas públicas, que vinha enfrentando impasse e tem como prazo máximo esta quinta-feira.

Segundo Vanei Nagem, responsável pela mesa de câmbio da Terra Investimentos, os desdobramentos em torno do Orçamento de 2021 foram como um pouco de “areia na fogueira” após semanas de impasse: “acalmaram os ânimos um pouco, uma vez que ficaram dentro das expectativas recentes dos mercados.”

Para Bernardo Zerbini, um dos responsáveis pela estratégia macro da AZ Quest, o câmbio está entrando numa “janela benigna” que, se estendida, pode terminar com o dólar entre R$ 5,35 e R$ 5,40.

“Estamos aumentando posições cautelosamente otimistas principalmente em bolsa e câmbio”, disse. “Tínhamos uma posição um pouco menor no real, agora aumentamos. Estavam exageradas as medidas de preço (da taxa de câmbio), considerando métricas como termos de troca e outras.”

Várias instituições financeiras têm dito que o real é ou está entre as moedas mais baratas do mundo emergente, depois de depreciar mais de 20% no ano passado e cair mais 5% em 2021.

A Rio Bravo também vê espaço para mais correção para baixo no dólar, mas tem dúvidas sobre a sustentabilidade do movimento.

“Os problemas políticos e fiscais vão continuar, porque é meio que a realidade brasileira… E lá nos Estados Unidos a discussão de inflação, de aumento da curva de juros, dos juros futuros, esfriou bastante, mas é algo que pode voltar ao radar, especialmente com essas novas discussões de estímulos em diferentes frentes nos EUA”, disse Evandro Buccini, diretor de renda fixa e multimercado da Rio Bravo.

Ainda assim, os economistas continuavam expressando preocupações com a saúde fiscal do Brasil. “Com o fluxo de entrada apertado pela pandemia e pela atividade econômica travada e pela falta de outros meios de se buscar financiamento, o governo vai aprovar um orçamento em detrimento às despesas discricionárias e ao funcionamento da já pesada e paquidérmica máquina pública”, opinou em nota Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset.

Maiores altas:

Cielo (+6,03%)
Usiminas (+5,36%)
CSN (+4,41%)

Maiores baixas:

Renner (-5,99%)
Suzano (-3,79%)
Multiplan (-3,47%)

(Com a Reuters)

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