O mercado financeiro percorreu uma verdadeira montanha-russa em 2020, um ano marcado pela pandemia de covid-19. Mesmo nessa trajetória de sustos, tombos e reviravoltas, algumas empresas se saíram muito bem e entregaram notáveis resultados para quem investiu em suas ações.

O 6 Minutos fez um levantamento dos seis papéis listados no Ibovespa, o principal índice da bolsa brasileira, que tiveram as maiores valorizações nos últimos 12 meses. Perguntamos a analistas de mercado e especialistas em renda variável quais foram as explicações para a boa performance de cada uma dessas empresas e se esse bom desempenho poderá se repetir em 2021.

Assim como a rentabilidade passada de um fundo de investimento não é garantia de retorno futuro, é bom lembrar que ainda estamos no mês de janeiro e muita coisa pode acontecer ao longo de 2021.

“Estamos olhando para uma fotografia de agora”, comenta Henrique Esteter, analista da Guide Investimentos. “E o que vemos é um cenário, em grande medida, similar ao que favoreceu a alta dessas ações em 2020. Por isso, essas empresas continuam sendo boas opções para o investidor”, ele acredita.

Veja abaixo quais são esses seis papéis e o que os analistas projetam para eles em 2021:

CSN (CSNA3): + 138,46%

Por que ela se deu bem? A siderúrgica tirou proveito da forte demanda por minério de ferro pela China. O país asiático começou uma retomada econômica já no segundo trimestre de 2020 e passou a consumir essa matéria-prima intensamente para produzir aço e atender investimentos em infraestrutura e construção.

Com isso, os preços do recurso mineral tiveram um salto de quase 30% em apenas três meses, até porque a oferta não conseguiu suprir a demanda. Bom para a CSN, sexta maior exportadora de minério de ferro do mundo. Que, como toda empresa que vende para o Exterior, também se beneficiou com a desvalorização do real no período.

Qual o panorama para 2021? A demanda por minério de ferro deve continuar aquecida neste ano. Além disso, as ações da CSN devem ser favorecidas pelo IPO (oferta inicial de ações) de sua divisão de mineração, a Casa das Pedras. “Esse IPO é uma promessa antiga, deve acontecer em fevereiro e já está sendo precificado pelo mercado. Será uma entrada de recursos interessante para a empresa, que poderá reduzir seu endividamento”, afirma Pedro Serra, gerente de research da Ativa Investimentos.

Weg (WEGE3): + 118%

Por que ela se deu bem? Se o bom investidor não coloca todos os ovos na mesma cesta, uma empresa que ataca em várias frentes tem menos chance de ficar na mão durante uma crise. E a Weg é um exemplo de diversificação. “Líder em motores elétricos, ela fornece para todo tipo de indústria, desde brinquedos até usinas de energia”, diz Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos.

Essa diversificação não é apenas de produtos, mas também geográfica, com plantas também em outros continentes. “Isso rende à empresa ganhos de eficiência produtiva e logística, ao se integrar a cadeias globais de produção”, comenta a economista Paloma Brum, analista da Toro Investimentos. “As vendas no exterior correspondem a quase metade da receita da companhia, o que a faz se beneficiar do patamar mais elevado do dólar ao longo do ano.”

Qual o panorama para 2021? A conjuntura continua favorável para a Weg: a China, sua cliente, continua puxando a retomada da economia, e a cotação do dólar não dá sinais de que vai esmorecer tão cedo.

Magazine Luiza (MGLU3): + 85,35%

Por que ela se deu bem? Se houve um setor que saiu ganhando com a pandemia, foi o comércio eletrônico. Com o confinamento, os consumidores aprenderam rapidamente a comprar sem sair de casa – uma mudança de hábito que, de outra forma, teria ocorrido em um intervalo de tempo muito mais longo.

“As empresas do ramo venderam como se fosse Black Friday, cresceram e abriram novas vagas”, lembra Serra, da Ativa. “Mas o Magalu cresceu acima dos pares e ganhou participação de mercado.” A varejista já tinha uma operação digital azeitada (que respondia por 53,3% das vendas em 2019) e despontou como um grande marketplace, capaz de fazer entregas em até 24 horas.

Qual o panorama para 2021? O e-commerce começou 2020 respondendo por 3% de todas as vendas do varejo; com a pandemia, essa fatia saltou para 7%. Mas isso ainda é só o começo. “Em países desenvolvidos, a participação chega a 35%. Ainda há muito potencial para crescer”, prevê Moliterno, da Veedha.

Serra acrescenta que a varejista também deve ser favorecida pela recuperação do varejo físico. “A vacinação abre uma perspectiva interessante de retomada, na medida em que trará de volta o fluxo de pessoas ao comércio.”

Vale ON (VALE3): +83,25%; Bradespar PN (BRAP4): +82,80%

Por que elas se deram bem? Assim como a CSN, a Vale também teve o resultado impulsionado pelo câmbio depreciado, que turbinou suas receitas, e pela retomada econômica da China, cliente da mineradora. Com isso, a Bradespar, grande acionista da Vale, também saiu ganhando.

O resultado foi uma forte geração de caixa, que ajudou a Vale a reduzir significativamente sua dívida e rendeu bons proventos aos acionistas. “O yield (dividendo pago por cada ação) bastante elevado trouxe bom humor para o investidor. Não à toa, o preço do papel bateu as máximas históricas, cruzando o patamar dos R$ 100″, observa Esteter, da Guide.

Qual o panorama para 2021? O cenário continua cor-de-rosa para a Vale e sua acionista. “O câmbio permanece depreciado, ajudando as exportadoras em geral, e o consumo elevado de minério de ferro continua empurrando o setor”, diz Esteter.

Suzano (SUZB3): + 52,87%

Por que ela se deu bem? Além da apreciação do dólar, que aumentou sua receita, a exportadora se beneficiou da recuperação dos preços da celulose. No auge da pandemia, os estoques da commodity encalharam nos portos chineses, sem demanda. Mas a partir de outubro de 2020, com o reaquecimento da economia daquele país, a Suzano conseguiu voltar a reajustar os preços.

Qual o panorama para 2021? Para Paloma Brum, da Toro, os preços da celulose já atingiram o ponto de inflexão e só devem subir neste ano. “Além disso, em 2021, a China iniciará a proibição da importação de papéis recicláveis, um substituto do papel e da celulose, o que tende a causar aumento na sua demanda”, assinala.

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