A crise do coronavírus, com suas sérias implicações sobre a economia, castigou com força as ações da Petrobras e dos bancos, que representam quase um terço do Ibovespa. Até outubro, esses papeis chegaram a acumular queda de mais de 40%, muito acima do recuo do principal índice da bolsa no período.

Mas em novembro o jogo virou. A definição das eleições americanas e a divulgação da elevada eficiência de vacinas contra a infecção aumentaram o apetite dos investidores internacionais a risco, e as bolsas de países emergentes voltaram a se tornar atrativas.

Esse movimento mudou o perfil dos papeis que mais sobem na bolsa neste final de ano. Isso porque, quando vão às compras no Brasil, os estrangeiros tradicionalmente miram papeis de empresas extremamente consolidadas, de baixo risco e alta liquidez (ou seja, que podem ser vendidos com facilidade). Isso é sinônimo, principalmente, de Petrobras, Vale e bancos.

Em grande parte, foram essas as ações que atraíram os impressionantes R$ 25,7 bilhões aportados na bolsa brasileira por investidores de outros países neste mês até o dia 18, movimento que supera, de longe, as alocações feitas nos outros meses que fecharam no azul em 2020.

Para ter uma ideia, em junho, agosto e outubro, os estrangeiros tiveram saldo positivo de menos de R$ 3 bilhões na B3.

“Os estrangeiros focam em ações mais líquidas e associadas a um movimento de volta da economia global”, explica Alexandre Espírito Santo, economista-chefe da Órama Investimentos. “Foram papeis muito penalizados durante a crise, e que participam das carteiras globais dos fundos”.

Em novembro, até agora, as ações da Petrobras tiveram alta acima de 20% –no mesmo período, o Ibovespa subiu pouco mais de 5%. Os principais bancos privados, Santander, Itaú e Bradesco, todos subiram mais de 8%, e a Vale, que já vinha com um desempenho melhor há mais tempo, está com alta de mais de 10%.

No ano, esses ativos ainda estão com desempenho negativo: os bancos e a Petrobras ainda apresentam queda de mais de 20% no acumulado.

“Com a pandemia, se aprofundou o processo de o estrangeiro sair da bolsa brasileira”, explica Espírito Santo. “Foram vários motivos para isso, um deles os pacotes de ajuda dos bancos centrais dos EUA e Europa. Toda essa dinheirama derramada de helicóptero favoreceu as bolsas no exterior”.

Varejistas estão perdendo

Do outro lado desse movimento, estão as varejistas ligadas ao e-commerce, que em um movimento parecido com o das grandes empresas de tecnologia dos EUA, vêm sofrendo um movimento de correção nos preços, com realização de lucros por parte dos pequenos investidores.

Esses são papeis que exerceram grande atração para investidores locais ao longo do ano. Magalu e Via Varejo, por exemplo, se valorizaram acima de 100% em 2020. Em novembro, entretanto, estão com queda, respectivamente, de 9% e 12%.

Neste mês, muitos pequenos (investidor pessoa física) começam a se desfazer dessas ações a um preço que consideram atrativo. “A pessoa física no curto prazo vem realizando lucros em patamares que antes eram vistos como zona de compra”, avalia Rafael Panonko, analista-chefe da Toro Investimentos. “Esse patamar de preços atual é a região do início da pandemia”.

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