Apesar de ter o fechado o pregão desta segunda-feira (dia 30) em queda de 1,52%, a 108.893 pontos, a Bolsa encerrou o mês com ganhos de 15,8%. É a maior alta para o mês de novembro desde o final de 1999.

O dólar fechou o dia em alta de 0,39%, a R$ 5,34. No mês, a moeda americana teve uma desvalorização de 5,9%, maior queda em pelo menos 18 anos.

O que aconteceu com a Bolsa e o dólar em novembro? A Bolsa fechou esta segunda em queda, em um movimento de realização de lucros. Em novembro, entretanto, o Ibovespa fechou na maior alta mensal desde o final de 1999, beneficiado pelo noticiário favorável sobre uma vacina contra o Covid-19 e da definição das eleições americanas.

Nas últimas semanas, o aumento de casos de coronavírus na Europa e Estados Unidos acabou sendo ofuscando por sinais promissores sobre a eficácia das vacinas, entre elas a da Pfizer, desenvolvida em parceria com a BioNTech, que pode ser aprovada pelo órgão regulador norte-americano ainda neste ano.

“O principal ponto que embasa esse otimismo foi o avanço das principais vacinas da Covid-19 com níveis de eficiência maiores, trazendo alívios para os mercados globais”, destacou o sócio e líder de renda variável na BlueTrade, Abner Gonçalves.

Ainda no cenário externo, o começo da transição de governo nos Estados Unidos trouxe alívio, assim como agradaram as primeiras informações ventiladas sobre a potencial equipe de Joe Biden, com destaque para a chance de que a ex-chair do Federal Reserve Janet Yellen comande o Tesouro norte-americano.

“Trump começa a admitir a vitória de Biden, e o próprio Biden que trazia um certo receio inicialmente já adotou um discurso bem conservador essa semana, o que fez os índices de volatilidade voltarem para os patamares pré-pandemia em níveis bem estáveis” acrescentou Gonçalves.

A bolsa brasileira ainda foi beneficiada pela entrada de estrangeiros no mercado secundário de ações, acompanhando o movimento de outros emergentes.

Estrategistas apontaram que houve uma rotação nos portfólios de ações para papéis de empresas de “valor” e “cíclicas”, como Petrobras, Vale e bancos, com maior peso no Ibovespa, em detrimento de ações de “crescimento”, como as de tecnologia.

Além disso, a temporada de resultados das empresas brasileiras do terceiro trimestre mostrou dados melhores do que o esperado por muitos analistas, endossando avaliações de que o pior dos efeitos da pandemia de Covid-19 nas companhias do país ficou para trás.

No caso do dólar, a alta das matérias-primas melhora os termos de troca do Brasil e beneficia o real, já que o país é exportador desses insumos. As commodities estão nas máximas desde o começo de março.

Destaques positivos no mês

PetroRio

Avançou 59,48%, tendo como principal gatilho da forte valorização o anúncio de que comprou fatias da britânica BP em dois blocos no pré-sal, em uma rara transação na região altamente produtiva, por US$ 100 milhões, o que tornará a companhia brasileira operadora dos ativos.

Azul e Gol
Subiram 68,78% e 50,10%, respectivamente, em meio ao sentimento mais positivo relacionado ao desenvolvimento de uma vacina contra o coronavírus, uma vez que o setor foi um dos mais afetados pela pandemia, com ambas as companhias reportando recuperação da demanda e oferta de voos.

Destaques negativos no mês

B2W e Magalu

Recuaram mais de 5%, em meio ao movimento de realização de lucros nos papéis associados ao comércio eletrônico, que acumularam fortes altas.

Fleury

Caiu 2,85%, com alguns analistas ainda enxergando incertezas para o cenário de recuperação em termos de demanda e retornos estruturais após várias novas iniciativas de receita, principalmente quando os testes de Covid-19 desaparecerem, embora o resultado do terceiro trimestre conhecido no começo do mês tenha sinalizado que a demanda está se recuperando rapidamente.

 

(Com a Reuters)

Quer receber notícias do 6 Minutos direto no seu celular? Estamos no Telegram (t.me/seisminutos) e no WhatsApp (https://6minutos.uol.com.br/whatsapp).