O número de empresas que entraram na Bolsa bateu recorde em 2020. Um levantamento da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) mostra que os IPOs tiveram o melhor resultado desde o boom de 2007, com um crescimento de 344,2% em comparação a 2019 – o valor dos IPOs passou de R$ 10,2 bilhões para R$ 45,3 bilhões. Ao total, 27 empresas entraram na Bolsa.

Mas por que tantas empresas decidiram abrir capital em 2020? A taxa de juros básica no valor mais baixo da história e o aumento no número de investidores em renda variável são alguns dos motivos. O economista-chefe da Messem Investimentos, Gustavo Bertotti, diz que, quando a taxa de juros estava em patamares maiores, o investidor brasileiro preferia apostar na segurança da renda fixa. Com a Selic a 2% ao ano, muitos partiram para a renda variável em busca de melhores resultados.

Segundo a B3, o número de investidores pessoa física chegou a 3,229 milhões em 2020, praticamente o dobro em relação a 2019, quando eles eram 1,681 milhão. À medida que aumenta o volume de recursos circulando no mercado de capitais, mais empresas começam a se interessar pelo setor.

“A taxa baixa e um excesso de liquidez e de capital permitiram que mais empresas acessassem o mercado com mais facilidade”, afirma o sócio e head de equity capital markets da XP Investimentos, Vitor Saraiva.

Atualmente, as empresas têm concentrado seus esforços para captação de recursos para expandir seus negócios em duas modalidades: empréstimos em bancos ou com abertura de capital na bolsa de valores.

Afinal, o que é IPO? Esta é a sigla para “Initial Public Offering”, quem em português significa “oferta pública inicial”. Na prática, o IPO marca a entrada de empresas na bolsa de valores, quando a companhia deixa de ser “limitada” e se torna uma “sociedade anônima”.

“Podemos dizer, informalmente, que o IPO de uma empresa nova é quando você passa da adolescência para a fase madura”, afirma o managing partner da Invisto, Marcelo Amorim.

Quais as vantagens e desvantagens para as empresas que abrem capital?

Vantagens:

  • Maior profissionalização da empresa. Ao abrir capital, as companhias são obrigadas a seguir uma série de regras que aumentam a transparência e a governança;
  • Possibilidade de conseguir recursos financeiros para expandir a companhia sem depender de empréstimos bancários;
  • Caso o empréstimo seja necessário, aumenta a capacidade de crédito, já que a transparência é vista com bons olhos pelos bancos;
  • Aumenta a visibilidade da empresa perante o mercado, funcionários e a sociedade em geral.

Desvantagens:

  • O IPO é um processo caro e burocrático;
  • Obrigação de reportar os resultados da companhia a cada três meses, o que alguns empresários podem ver como desvantagem.

Como fica o mercado de capitais em 2021? “O ano tem tudo para ser histórico para a parte de renda variável”, afirma Saraiva. A expectativa é de que haja um novo recorde de IPOs ao final deste ano, principalmente se os indicadores econômicos se mantiverem nos patamares projetados para 2021.

O cenário é motivador para o Brasil, que ainda tem bastante espaço para crescimento dentro do mercado. Para Bertotti, “um país que quer crescer precisar ter um mercado de capitais desenvolvido”.

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