Historicamente, dezembro costuma ser bom para os mercados acionários de todo o mundo, particularmente para os emergentes. É um mês em que instituições e pessoas físicas estão se planejando para o ano seguinte, tomando decisões de investimento em um ambiente em que há mais dinheiro em circulação na economia, com pagamento de benefícios como o 13º salário.

Neste ano, entretanto, esse rali de fim de ano parece ter sido antecipado para novembro. O Ibovespa encerrou o mês passado com alta de quase 16%, o melhor desempenho para o mês desde 1999. O americano S&P 500 fechou na maior alta para o mês de todos os tempos para o índice.

Nesse cenário, a pergunta que fica é: o último mês do ano será marcado por uma correção de preços de ações, ou há chance de mais valorização?

“Imaginamos que continuará positivo, mas dificilmente será tão bom como novembro”, avalia Pedro Lang, chefe de renda variável da Valor Investimentos. “Há espaço para correção. Seria natural que depois de uma alta como essa, as pessoas quisessem colocar um pouco de dinheiro no bolso. Mas o mercado parece que não quer corrigir não”, pondera.

Na avaliação de Luis Sales, analista da Guide Investimentos, a expectativa é que este mês seja marcado por um rali mais ameno, mas ainda com perspectivas positivas.

“Talvez nos primeiros 10 dias do mês, o mercado ande um pouco de lado ou até fique negativo. Mas depois deve haver de fato um rali de fim de ano, com o bom humor externo prevalecendo”, analisa.

Apetite por risco

Essa perspectiva otimista, a despeito da forte valorização no mês passado, está relacionada com o bom humor dos mercados internacionais com a transição de poder nos Estados Unidos e a comprovação da eficácia de vacinas contra o coronavírus, que deve permitir o início da imunização em alguns países no curto prazo.

“As commodities também seguem em recuperação, e alguns ativos estão descontados, como bancos e Petrobras”, aponta Sales.

O Índice Financeiro, por exemplo, que mede o desempenho de bancos e seguradoras, ainda acumula queda de quase 15% no ano, a despeito da recuperação recente. A Petrobras, que também possui um peso importante na bolsa, amarga um tombo de 18%.

Sandra Blanco, estrategista chefe da Órama Investimentos, lembra que o rali de final de ano costuma estar relacionado com recebimento de bônus e 13º salário.

“O pessoal se anima, tem ajuste de carteiras. Costuma ser um mês bom. Como novembro já foi espetacular, ainda não se sabe se vai continuar, ou se grande parte desse movimento já aconteceu em novembro”, afirma.

Ela lembra que há fatores que podem continuar impulsionando os mercados: as notícias sobre vacinas devem continuar fazendo preço e os movimentos do presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, na composição de sua equipe vêm animando as bolsas.

“Mas pode haver realização de lucros, e isso pode limitar os ganhos. Outro novembro não dá para acontecer”, pondera. “Outro risco são as notícias domésticas, que podem jogar um balde de água fria. Dependemos da sinalização de Brasília para saber se veremos um 2021 com algum crescimento, com inflação controlada e um bom cenário fiscal”.

 

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