O Ibovespa fechou com alta discreta nesta quinta-feira, numa sessão sem entusiasmo e com volume financeiro abaixo da média, tendo de pano de fundo um viés positivo em Wall Street, mas declínio das ações dos bancos.

O índice de referência do mercado acionário brasileiro subiu 0,1%, a 126.057,15 pontos, de acordo com dados preliminares.

Já o dólar fechou em alta de 0,36%, a R$ 5,2112.

O que aconteceu com a Bolsa? Oscilando entre quedas brandas e reações sutis, em linha com o aumento do apetite em Wall Street, o Ibovespa terminou o dia praticamente no zero a zero, depois de dois pregões de alta.

Em Nova York, o S&P 500 passou a crescer após dados mostrando alta inesperada nos pedidos semanais de auxílio-desemprego nos Estados Unidos, embora o fluxo de balanços corporativos continue oferecendo algum suporte aos mercados.

Também no radar externo continua o foco sobre o noticiário referente à variante Delta e seus potenciais reflexos na retomada das economias.

No Brasil, a temporada de balanços deve ganhar ritmo apenas na próxima semana, mas nesta sexta-feira a Hypera abre o calendário do Ibovespa, com resultado após o fechamento.

O noticiário político brasileiro também é monitorado, após reportagem de O Estado de S. Paulo afirmando que o ministro da Defesa, Walter Braga Netto, ameaçou o presidente da Câmara, Arthur Lira, com a não realização de eleições em 2022 caso a Casa não aprove o voto impresso. Ambos negaram a reportagem, mas o jornal manteve a publicação.

“Ainda temos um longo caminho até as eleições. Será um período tortuoso e turbulento. Eventos como esse devem entrar no radar dos investidores”, afirmou Dan Kawa, diretor de investimentos da TAG Investimentos.

Fora do Ibovespa, Multilaser disparou 16,67% em estreia na B3 após precificar seu IPO a R$ 11,10 por ação, perto do piso da faixa estimada pelos coordenadores, de R$ 10,80 a R$ 13. A operação movimentou R$ 2,2 bilhões.

Dentro do índice, destaque negativo para o setor de bancos, com as units do Inter encabeçando as perdas do pregão (-2,69%). BB ON recuou 1,33%, Bradesco perdeu 1,23% em ambos os papéis e Itaú Unibanco PN caiu 0,99%.

Já as ações de tecnologia foram bem: Locaweb teve a maior alta do dia, de mais de 6%, e Totvs subiu 2,18%.

O que aconteceu com o dólar? A divisa norte-americana fechou em alta moderada nesta quinta-feira depois de ter oscilado bastante ao longo do pregão, novamente alterando perdas e ganhos, refletindo um cenário externo também instável e ainda o aquecido noticiário político doméstico. O dólar à vista subiu 0,36%, a R$ 5,2112.

No exterior, o dólar chegou ao fim da tarde perto da estabilidade, mas também mostrou volatilidade ao longo do pregão, marcado pela decisão de política monetária na zona do euro e por dados piores do mercado de trabalho norte-americano – ambos tendo como pano de fundo um ressurgimento dos receios em torno da Covid-19.

Estrategistas do Société Générale chamaram atenção para o que consideram uma divergência entre aumento de casos e hospitalizações por covid-19 em países onde a vacinação está avançada. Isso indicaria retomada contínua da economia, o que favoreceria o dólar contra outras moedas. O euro, por exemplo, caía 0,2% nesta sessão, com o Banco Central Europeu (BCE) prometendo manter juros em mínimas recordes por mais tempo.

No caso do real, os profissionais destacaram uma linha de tendência de alta para o dólar depois de a divisa ter saído de um canal de queda que durou vários meses. A expectativa deles é que os preços se estabilizem com teto em R$ 5,29/5,31 e piso em R$ 5,10.

Com as altas recentes, o dólar voltou a operar acima de sua média móvel de 50 dias, mas segue abaixo das médias de 100 e 200 dias -consideradas indicativos melhores de tendência num prazo mais longo.

Nesta semana, o dólar tem se mantido numa faixa estreita entre R$ 5,19 e R$ 5,25, depois de, na semana passada, chegar a encerrar sessão em cerca de R$ 5,08.

A mudança de patamar veio acompanhada ainda de mais uma leva de notícias políticas de Brasília, com o governo tentando fortalecer apoio no Congresso, mas às custas de menor autonomia do Ministério da Economia de Paulo Guedes – em meio ao pior momento para o presidente Jair Bolsonaro desde o início de seu mandato e a debates ruidosos em torno da polêmica reforma tributária proposta por Guedes.

Bolsonaro confirmou nesta quinta-feira que o senador Ciro Nogueira (PP-PI) aceitou seu convite e deverá assumir a Casa Civil de seu governo.

“Ao mesmo tempo que a governabilidade melhora no curto prazo, é um risco enorme para o governo no médio prazo”, disse a Rio Bravo em comentário, lembrando que, com o centrão dentro do governo, há risco de mais pressão por emendas parlamentares e para outros gastos.

Maiores altas:

Locaweb (+6,06%)
Cosan (+3,39%)
Marfrig (+2,92%)

Maiores baixas:

Banco Inter (-2,69%)
Pão de Açúcar (-2,06%)
Azul PN (-1,40%)

Com a Reuters

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