Nesta quarta-feira (28), o Ibovespa fechou com a maior queda diária percentual desde abril, devolvendo boa parte dos ganhos de outubro. O cenário negativo se deve ao crescimento de casos de Covid-19 no mundo e o temor de que uma segunda onda resulte em novas medidas de confinamento, complicando, assim, a recuperação das economias.

No Brasil, resultados corporativos, entre eles números robustos da Gerdau, foram ofuscados pelas vendas generalizadas na bolsa brasileira, em sessão que ainda prevê a divulgação dos balanços de companhias como Vale, Petrobras e Bradesco, além de decisão do Banco Central sobre a taxa Selic.

Principal índice do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 4,22%, a 95.399,45 pontos, com todos os 77 papéis de sua carteira em queda, ampliando as perdas na semana para quase 6%.

Dólar

O dólar registrou forte alta contra o real nesta quarta-feira (28), fechando no maior patamar desde meados de maio. O Banco Central interveio nos mercados de câmbio, promovendo leilão de moeda à vista, mas isso não foi suficiente para frear a alta da divisa americana.

O dólar negociado no mercado interbancário saltou 1,42%, a R$ 5,76, maior cotação de fechamento desde o dia 15 de maio. No pico do pregão, a moeda norte-americana encostou nos R$ 5,80, maior nível intradiário desde 18 de maio.

Copom

Por aqui, o foco dos investidores brasileiros seguirá na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central, que será concluída ainda nesta quarta-feira. A expectativa é de que o Copom mantenha a taxa Selic em sua mínima histórica de 2%.

O patamar extremamente baixo da taxa básica de juros tem sido apontado como um dos principais fatores para a desvalorização do real em 2020, uma vez que afeta a rentabilidade de ativos locais atrelados à Selic. Um cenário fiscal e econômico incerto tem aprofundado ainda mais as preocupações domésticas.

No ano, o dólar acumula salto de cerca de 43% contra o real.

“Percebemos que o Brasil saiu do radar do exterior já há algum tempo. Não temos juros, não temos perspectiva de crescimento de médio prazo factível”, disse Italo Abucater, gerente de câmbio da Tullett Prebon. “A ‘cereja do bolo’ é o Copom, com sinais de que não haverá aumento de juros tão cedo.”

Nova onda de coronavírus

A quarta-feira foi marcada por um sentimento de cautela nos mercados internacionais, com o dólar subindo cerca de 0,3% contra uma cesta de moedas fortes, enquanto todos os principais pares do real apresentaram queda.

Segundo nota do time econômico da Guide Investimentos, colaborando para a aversão a risco, “a agressiva segunda onda de coronavírus na Europa e a piora do quadro nos EUA adicionam forte incerteza a um ambiente que já conta com forte volatilidade em função da proximidade das eleições presidenciais nos Estados Unidos”.

Entre os investidores, o principal temor diante de uma segunda onda da doença é a retomada de lockdowns nas principais economias, que podem minar uma frágil recuperação global diante do tombo causado pela pandemia. A Alemanha, a principal potência europeia, já caminhava para a adoção de novas restrições à atividade a partir da semana que vem. França também anunciou novas restrições hoje.

Menores quedas

Todas as ações do Ibovespa operaram no vermelho hoje. As que perderam menos foram:

Taesa: -1,25%

Intermédica: -1,41%

Natura: -1,74%

Maiores baixas

Cielo: -11,66%

CVC: -9,88%

Azul: -9,58%

(Com Reuters)

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