O Ibovespa fechou em queda de mais de 2% nesta sexta-feira, engatando a terceira perda semanal consecutiva e renovando mínima em seis meses, reflexo do desconforto de agentes financeiros com um combo de questões sem sinais de equacionamento no curto prazo no Brasil.

O recuo no pregão nesta sexta-feira, marcado também pelo vencimento de opções sobre ações, ainda refletiu o efeito do declínio de cerca de 2% das ações da Vale, na esteira do tombo dos futuros do minério da ferro na China, que ofuscaram a divulgação sobre dividendos da companhia.

O índice de referência do mercado acionário brasileiro caiu 2,07%, a 111.439 pontos, menor patamar de fechamento desde 9 de março deste ano, acumulando na semana uma perda de 2,3%, segundo dados preliminares.

Já o dólar fechou em alta de 0,42%, cotado a R$ 5,2875.

O que aconteceu com a Bolsa? O Ibovespa engatou a quarta queda consecutiva, pressionado pelo cenário doméstico ainda complicado, mas também pelo ambiente externo desfavorável, principalmente a queda de commodities.

Para a Genial Investimentos, os ativos no Brasil estão reagindo ao risco de desrespeito ao teto dos gastos, em meio à imprevisibilidade do governo, incerteza sobre o desfecho para a questão dos precatórios e qual será o custo do Auxílio Brasil.

“Enquanto a dúvida em relação ao respeito ao teto dos gastos estiver pairando sobre a economia brasileira, os investidores irão continuar a precificar um elevado risco fiscal, o que significa preços dos ativos em queda nos mercados.”

As negociações na bolsa paulista ainda têm como pano de fundo piora nas perspectivas de crescimento da economia brasileira, inflação elevada e juros maiores, bem como uma crise hídrica.

Outro fator que intensificou o ocaso do índice foi a queda de 2,02% de Vale ON, no embalo do declínio da cotação do minério de ferro na China. A preocupação com a queda na demanda da commodity fez o UBS cortar a recomendação da Vale para ‘venda’ e ofuscou o anúncio de dividendos de R$ 8,10 por ação pela mineradora na noite de quinta-feira.

A pressão negativa representada pela queda do minério de ferro se fez sentir em todo o setor de siderurgia: Gerdau caiu 7,02%, Usiminas recuou 5,31% e CSN perdeu 4,73%.

O que aconteceu com o dólar? O dólar fechou em alta contra o real nesta sexta-feira, com investidores mais uma vez evitando exposição antes do fim de semana e de dias que terão como destaque reuniões de política monetária pelo mundo, inclusive no Brasil e nos EUA.

Ainda que tenha fechado a sessão mais caro, o dólar ficou a uma boa distância das máximas do dia, quando foi acima de R$ 5,34, passada parte da reação inicial ao decreto do presidente Jair Bolsonaro que elevou IOF para custear o aumento do valor do novo Bolsa Família – medida vista no mercado como eleitoreira.

O dólar à vista subiu 0,42%, a R$ 5,2875, máxima desde o último dia 8 (R$ 5,3236). Na semana, avançou 0,37%, elevando os ganhos em setembro para 2,23%. Em 2021, a cotação se valoriza 1,85%.

Maiores altas:

Telefônica Brasil (+1,45%)
Magazine Luiza (+1,22%)
Natura (+1,14%)

Maiores baixas:

Banco Inter Unit (-7,02%)
Gerdau (-6,82%)
Metalúrgica Gerdau (-5,59%)

Com a Reuters

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