Investidores que apostam na queda de ativos preparam suas ferramentas para mercados emergentes. Agora, a visão é de que o rali que valorizou as ações em US$ 11,6 trilhões e deixou os rendimentos dos títulos em mínimas históricas foi longe demais.

Desde o início de fevereiro, os chamados vendedores a descoberto apostaram US$ 1,43 bilhão na queda dos quatro maiores fundos de índice dos EUA com a compra de ações e títulos de países em desenvolvimento. No ETF Vanguard FTSE EM, com US$ 82 bilhões, os valores das posições vendidas subiram para o maior nível em sete anos, enquanto no principal fundo de Eurobonds os níveis mais do que dobraram em menos de um mês.

Ativos de países em desenvolvimento sobem desde março passado na esteira dos fluxos de capital mais fortes em oito anos em meio à busca de investidores por rendimentos mais altos em um mundo inundado pela liquidez de bancos centrais e títulos de rendimento negativo. Embora o ambiente de acomodação não vá desaparecer tão cedo, o aumento dos rendimentos livres de risco gerou preocupação de que os ganhos não têm como continuar.

O fundo Vanguard, que subiu quase 13% neste ano e é negociado em nível recorde, recebeu entrada de US$ 584 milhões em um único dia nesta semana, após registrar US$ 415 milhões em novos depósitos na semana passada. Como os ETFs normalmente emitem novas ações para serem emprestadas a vendedores a descoberto, esses fluxos podem sinalizar um aumento da atividade no chamado “criar para emprestar”. Coincidindo com os fluxos, as posições vendidas no ETF subiram para US$ 1,8 bilhão, o maior nível desde março de 2014.

Quase US$ 8 bilhões em apostas baixistas foram posicionadas contra o ETF iShares MSCI Emerging Market desde outubro. Uma em cada três ações está vendida no fundo. Outros US$ 1,7 bilhão mostram que o ETF iShares Core MSCI EM, que investe em um universo mais amplo de ações que incluem empresas de pequena capitalização, pode cair.

A imagem é semelhante para títulos. O ETF iShares JPMorgan dollar-bond tem US$ 701 milhões no lado vendido, respondendo por 3,7% das ações em circulação. O principal ETF em moeda local tem US$ 122 milhões em posições baixistas.

O maior interesse dos vendedores a descoberto em mercados emergentes coincide com os sinais de exaustão em um rali apoiado na esperança de uma recuperação econômica rápida da crise de coronavírus. Relatórios de taxas de recuperação desiguais no mundo em desenvolvimento, bem como campanhas de vacinação em diferentes ritmos, diminuíram esse otimismo.

Ações no MSCI são negociadas a 16,4 vezes os lucros projetados de seus componentes, em comparação com valuation médio de 11,3 nos últimos 15 anos.

O rendimento médio em um indicador Bloomberg Barclays para títulos em dólar de mercados emergentes caiu para a mínima de 3,49% em janeiro, em comparação com 7,88% em março. No entanto, os ganhos estagnaram neste ano, e o índice caminha para um segundo mês de perdas.

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