“Não saia vendendo tudo o que tem durante a crise do coronavírus, você vai perder dinheiro”. Com algumas variações, essa é a principal recomendação que vem sendo dada por especialistas à pessoa física que está na bolsa.

Apesar dessa preocupação, é exatamente ele, o investidor individual, quem vem mais resistindo em março, apesar de o Ibovespa, principal índice, ter perdido mais de 34% de valor neste mês até agora.

Dados da B3 mostram que esse segmento, entre compras e vendas de ações, ficou positivo em R$ 12,5 bilhões entre os dias 2 e 16 de março, de longe o maior saldo entre as diferentes categorias.

Segundo especialistas, isso é sinal de que, apesar de muitos estarem realmente se desfazendo dos seus papeis em meio ao pânico, outros estão aproveitando os preços baixos para irem às compras.

“A base de comparação do pequeno investidor novato é o ano passado. Ele lembra que a Petrobras estava a mais de R$ 30, olha agora a R$ 12 agora e compra”, afirma Rafael Panonko, analista-chefe da Toro Investimentos.

Enquanto isso, os chamados investidores institucionais, ou seja, os gestores de fundos de investimentos, ficaram no positivo em somente R$ 850,8 milhões no período. A grande fuga vem mesmo dos estrangeiros: cada vez mais avessos ao risco representado por ativos de países emergentes, o segmentou retirou R$ 15,4 bilhões somente até o dia 16.

Por quê os investidores PF têm o saldo mais positivo na bolsa neste momento? O investidor pessoa física administra seu próprio dinheiro, diferentemente de um gestor de fundo de investimento, por exemplo, que precisa prestar contas a seus cotistas todos os meses sobre o que acontece com a rentabilidade do investimento.

“O pequeno que tem caixa olha o longo prazo e decide esperar, até porque estamos em um cenário de juros muito baixos, em que a inflação corrói o retorno das aplicações em renda fixa”, explica Panonko.

Além disso, alguns fundos de ações precisam obedecer a regras de stop loss, que são mecanismos para interrupção de perdas muitas vezes previstos no regulamento da aplicação.

“Muitos fundos estavam operando alavancados [quando além do dinheiro do cotista, o fundo utiliza recursos emprestados], e estão vendendo posições para sair da volatilidade”, diz o especialista da Toro.

E qual a razão dessa saída tão forte do investidor estrangeiro da bolsa brasileira? Desde o ano passado, apesar da forte valorização da bolsa, o investidor estrangeiro vem mais tirando do que colocando recursos no mercado acionário brasileiro.

Segundo analistas, essa saída tem a ver com um movimento amplo de aversão a risco em um cenário de incertezas na economia global _a crise do coronavírus e a queda recente do preço dos papeis brasileiros acentuou, e muito, esse cenário.

 

 

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