Os investidores estrangeiros fizeram resgates líquidos de R$ 44,5 bilhões do mercado de ações em 2019, segundo dados divulgados pela B3 nesta sexta-feira (dia 3). Foi o maior valor da série histórica iniciada em 1994.

O que significa essa notícia? Apesar dos sinais de retomada da economia, o investidor estrangeiro ainda não voltou a encarar o mercado de ações no Brasil como uma alternativa importante de alocação de recursos. Segundo analistas, essa saída tem mais a ver com fatores externos do que internos — a principal razão é o movimento amplo de aversão a risco dos grandes investidores por causas das incertezas na economia global.

Mas existem fatores internos, como a cautela quanto aos rumos da economia brasileira ou a avaliação de que os preços das ações não são tão atraentes quando se faz a análise de médio e longo prazo.

Mas o Ibovespa subiu mais de 30% em 2019. Como isso é possível? A valorização foi puxada pelos chamados investidores institucionais, que são empresas, fundos de investimento, seguradoras etc. Além deles, a crescente participação de investidores individuais, que são pessoa física, também pesou a favor.

Ainda assim, não dá para desprezar a importância do investidor estrangeiro para a bolsa. Eles são a principal classe de investidor nesse mercado, representante mais de 40% do volume de negociação.

Os estrangeiros estão fugindo completamente da bolsa? Não exatamente. Ao mesmo tempo em que deixaram o mercado à vista, os investidores de outros países compraram em 2019 o equivalente a R$ 36,1 bilhões em ofertas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês) ou em ofertas subsequentes, de empresas que já eram negociadas na bolsa.

Incluindo esse dado, a saída de recursos de estrangeiros da bolsa paulista recua para R$ 8,46 bilhões.

Por que essa diferença de comportamento? Segundo analistas, algumas das ofertas de ações realizadas em 2019 apresentaram boas perspectivas de valorização no médio e longo prazo para o investidor, algo que nem sempre está disponível para companhias já listadas na bolsa. O 6 Minutos preparou uma matéria explicando a diferença de comportamento.

O dado negativo do ano passado não foi influenciado pelos primeiros meses, quando a economia ainda patinava? Não. Em dezembro, por exemplo, as vendas de ações por parte dos investidores não residentes no mercado secundário superaram as compras em R$ 5,26 bilhões.

E o que deve acontecer em 2020? Ainda é cedo dizer. Analistas internacionais dizem que o investidor estrangeiro, em geral, enxerga boas oportunidades de ganhos em mercados emergentes, e isso inclui o Brasil e o Ibovespa. Uma pesquisa recente da Bloomberg mostrou o país como um dos destinos preferidos.

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