A indicação do general da reserva Joaquim Silva e Luna para a presidência da Petrobras e as declarações do presidente Jair Bolsonaro de que mais interferências em estatais podem vir pela frente fizeram a bolsa cair 4,8%, a 112.667 pontos. As ações da estatal desabaram 19,96% (ordinárias) e 21,15% (preferenciais).

O dólar, que pela manhã chegou a subir acima de 2%, fechou o dia em alta de 1,27%, a R$ 5,43, reduzindo ganhos após intervenção do Banco Central.

O que aconteceu com a bolsa? O Ibovespa fechou em forte queda nesta segunda, com agentes financeiros enxergando aumento relevante de risco político no país, principalmente por causa da ingerência governamental na Petrobras

Na sexta-feira, Bolsonaro indicou o nome do general Joaquim Silva e Luna para assumir os cargos de conselheiro e presidente da Petrobras após o encerramento do mandato do atual presidente da companhia, Roberto Castello Branco.

Um dia depois, Bolsonaro indicou nova substituição aos moldes da decisão para a presidência da Petrobras, bem como afirmou que vai “meter o dedo na energia elétrica”.

“As declarações recentes do presidente acendem um enorme sinal amarelo – senão vermelho – ao cenário político local”, disse o estrategista Dan Kawa, da TAG Investimentos, esperando uma segunda-feira de enorme pressão negativa nos ativos locais, “na ausência de uma mudança de postura do governo federal”.

Endossando as missivas, o BTG Pactual destacou que a decisão relacionada à presidência da Petrobras aumenta de forma significativa incertezas que já se multiplicam tanto na parte política, na saúde e na agenda de reformas, conforme nota a clientes enviada pela área de gestão do banco.

“Não se trata apenas de uma troca no comando da Petrobras, que poderia ser considerada normal, porém aconteceu após duras críticas à política de preço que vinha sendo executada.”

A suspeita de que Bolsonaro pode trocar também o comando do Banco do Brasil fez a instituição financeira recuar acima de 11%.

Na outra ponta, Lojas Americanas e B2W tiveram um dia de forte alta, após anúncio na noite da última sexta-feira de que estão avaliando combinar suas operações.

O que aconteceu com o dólar? O dólar começou a semana em alta frente ao real, impulsionado pelo aumento do risco político depois de Bolsonaro intervir na direção da Petrobras e falar em mudanças em outras companhias e setores, mas a moeda desacelerou os ganhos ao longo da tarde, após atuação do Banco Central e alguma melhora no exterior.

O receio de agentes financeiros é que o governo possa estar dando início a uma guinada populista para estancar a queda de popularidade do presidente. A avaliação positiva do governo caiu para 32,9%, mostrou pesquisa CNT/MDA nesta segunda-feira, ao passo que a avaliação negativa subiu e totaliza agora 35,5%, superando o percentual dos que veem a gestão como ótima ou boa.

“Acreditamos que os ativos locais apresentarão um desempenho inferior no curto prazo. Com o dólar acima de R$ 5,50 poderemos ver uma continuação do movimento para cima”, disse o Citi em nota.

Maiores altas:

Lojas Americanas (+20,08%)
Embraer (+7,75%)
Cielo (+4,48%)

Maiores baixas:

Petrobras PN (- 21,15%)
Petrobras ON (- 19,96%)
Banco do Brasil (- 11,06%)

(Com a Reuters)

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