O Ibovespa fechou com baixa discreta nesta terça-feira, contaminado pela piora em Wall Street, além do declínio de blue chips como Vale, Petrobras, Bradesco e Itaú Unibanco. O índice de referência do mercado acionário brasileiro caiu 0,15%, a 116.230,51 pontos, de acordo com dados preliminares.

Já o dólar fechou em alta de 0,68%, cotado a R$ 5,2589.

O que aconteceu com a Bolsa? O Ibovespa foi enfraquecido pelo declínio de Vale e Petrobras, com agentes financeiros ainda atentos a Brasília, mas também repercutindo dados de preços ao consumidor dos Estados Unidos.

Após ter fechado acima dos 116 mil pontos na véspera, o Ibovespa abriu espaço para continuar o movimento de recuperação em busca das regiões em 118.600 e 121.300 pontos, de acordo com a análise técnica do Itaú BBA. Mas o momento de cautela persiste no curto prazo. “O risco de mais quedas ainda permanece”, afirmaram em relatório a clientes nesta terça-feira os analistas Fábio Perina e Larissa Nappo.

A manutenção da trégua no cenário político-institucional evitou novos ajustes relevantes, embora um rol de incertezas permaneça, e comentários do presidente da Câmara dos Deputados envolvendo a Petrobras adicionaram certo ruído.

Na véspera, no Twitter, Arthur Lira afirmou que a companhia “deve ser lembrada: os brasileiros são os seus acionistas”.

“Tudo caro: gasolina, diesel, gás de cozinha. O que a Petrobras tem a ver com isso? Amanhã, a partir das 9h, o plenário vira Comissão Geral para questionar o peso dos preços da empresa no bolso de todos nós”, escreveu Lira na rede social.

O presidente da estatal, general Joaquim Silva e Luna, afirmou na Comissão Geral na Câmara que, em momento de preços altos de combustíveis e crise energética, o Brasil pode, sim, contar com a Petrobras e que a nação ganha quando a companhia paga dividendos e tributos.

Wall Street, por sua vez, teve um dia fraco, mesmo após dados sugerindo que a inflação ao consumidor nos EUA atingiu seu pico, com atenções também voltadas pra um possível aumento nos impostos a empresas.

Entre os destaques do dia, Petrobras PN caiu 1,33%, apesar da alta dos preços do petróleo no exterior – embora as cotações da commodity tenham se afastado das máximas. Já Vale ON recuou 0,71%, na esteira de novo declínio dos preços do minério de ferro na China.

Na ponta oposta, Méliuz ON saltou mais de 15%, no quarto pregão seguido de valorização, tendo de pano de fundo desdobramento de ações e uma forte queda desde as máximas registradas em julho. No ano, porém, a ação ainda acumula alta de quase 190%.

Eneva ON avançou 3,42%, endossada por relatório do Itaú BBA elevando a recomendação dos papéis para “outperform” e citando que a ação é o melhor veículo para enfrentar a severa crise hídrica no país.

O que aconteceu com o dólar? O dólar fechou em alta e perto das máximas desta terça-feira, com operadores acompanhando o fortalecimento da moeda norte-americana no exterior em meio ao ambiente de maior aversão a risco por dúvidas sobre a retomada econômica global. O dólar à vista fechou em alta de 0,68%, a R$ 5,2589.

Especialistas dizem que o cenário doméstico segue impondo incertezas em várias frentes. Alexandre Espirito Santo, economista-chefe da Órama Investimentos, ressaltou que “ano que vem é ano eleitoral, um especialmente complicado. O país está muito rachado, e, historicamente, em anos eleitorais, o dólar sobe”.

Para o economista, um dólar entre R$ 5,20 e R$ 5,30 é “razoável” para o momento presente, mas a divisa pode buscar os R$ 5,50 no ano que vem, em meio ainda a dúvidas sobre como será resolvida a conta de precatórios para 2022 e como caminhará a agenda de reformas do governo.

“A volatilidade está abrindo (aumentando), e mercado e incerteza não combinam”, completou.

Maiores altas:

Méliuz (+15,10%)
Locaweb (+8,21%)
Petz (+3,89%)

Maiores baixas:

Dexco (-3,07%)
CVC (-2,93%)
BRF (-2,89%)

Com a Reuters

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