O Ibovespa fechou em alta nesta terça-feira (13), acima dos 119 mil pontos pela primeira vez em quase dois meses, favorecido pelo viés positivo em Wall Street, com Lojas Americanas e B2W capitaneando os ganhos. O índice de referência do mercado acionário brasileiro encerrou com acréscimo de 0,41%, a 119.297 pontos, abandonando a fraqueza da manhã, quando quase perdeu o patamar de 118 mil pontos.

O dólar, por sua vez, caiu 0,14%, a R$ 5,7175.

O que aconteceu com a Bolsa? Em meio às preocupações com o Orçamento de 2021, que precisa ser sancionado até o dia 22 deste mês pelo presidente Jair Bolsonaro, o Ibovespa teve um dia de volatilidade, influenciado por commodities e varejistas.

“Com o prazo para a sanção presidencial do orçamento se aproximando, as preocupações em torno da questão fiscal devem ganhar corpo”, afirmou a economista-chefe da plataforma de investimentos Consulenza, Helena Veronese.

O Orçamento deste ano foi aprovado pelo Congresso com uma subestimativa de despesas obrigatórias, como previdenciárias e auxílio-doença, e um incremento dos gastos previstos em emendas parlamentares.

O gestor de renda variável da Western Asset, Cesar Mikail, explica que a questão do teto de gastos pesou no radar do mercado, mas as bolsas no exterior tiveram um desempenho positivo, dando suporte ao pregão brasileiro.

Ele também citou o início da temporada de balanços trimestrais nos Estados Unidos, com bancos abrindo o calendário na quarta-feira, “o que deve fazer preço” nos mercados.

Os maiores destaques do pregão ficaram com o varejo eletrônico. Lojas Americanas PN disparou 9,31%, com sua controlada B2W ON saltando 8,97%, ambas com volume expressivo. Investidores aguardam a conclusão do estudo referente a uma potencial combinação de negócios entre as companhias anunciada em fevereiro, que analistas avaliam que deve destravar valor. Até a véspera, Lojas Americanas acumulava queda de 15,3% no ano e B2W recuava 16,3%.

Outro bom desempenho foi das ações do Grupo Pão de Açúcar, que subiram 5,70% após seu controlador, Casino, dar início a um processo para potencial aumento de capital da Cdiscount, subsidiária direta da Cnova, na qual o GPA detém 34,17% de participação.

O que aconteceu com o dólar? O dólar operou como montanha-russa nesta terça-feira e, depois de muito vaivém, fechou com leve queda, mas ainda acima de R$ 5,70, com problemas fiscais e políticos no Brasil reduzindo o impacto da fraqueza da moeda norte-americana no exterior após dados de inflação nos Estados Unidos.

O dólar à vista caiu 0,14%, a R$ 5,7175 na venda.

Lá fora, o índice do dólar contra uma cesta de divisas cedia 0,3%.

A cotação no Brasil iniciou o dia em alta, ainda repercutindo o noticiário sobre possível flexibilização do teto de gastos, mas virou para baixo seguindo o comportamento do câmbio no exterior após dados de inflação nos Estados Unidos não referendarem apostas de redução de estímulos pelo banco central norte-americano.

Ao longo da tarde, porém, o dólar recobrou forças, zerando boa parte das perdas, conforme operadores evitaram apostas mais arriscadas em meio ao tenso foco voltado para Brasília.

O mercado ainda se mostrou ressabiado com riscos ao regime fiscal. Na véspera, o real teve o pior desempenho global, quando o dólar fechou em alta de 0,90%, a R$ 5,7258, após informações de que o Ministério da Economia e o governo, sob pressão do Congresso, estariam estudando a criação de uma PEC que, no fim das contas, permitiria a acomodação de algumas despesas fora do teto de gastos.

“O governo, por sua vez, não dá indícios de que pretende trazer a situação fiscal novamente para o caminho da responsabilidade”, disse em carta mensal a gestora SPX, de Rogério Xavier.

O dólar sobe 10,13% no ano, o que deixa a moeda brasileira “brigando” com o peso argentino pelo posto de pior desempenho do mundo em 2020. À cotação de fechamento desta terça, o dólar está a apenas 3,21% da máxima recorde de R$ 5,9012 marcada há exatos dez meses.

Com tamanho prêmio de risco embutido, novamente algumas instituições começaram a apontar algum exagero nos preços.

Gustavo Arruda, chefe de pesquisa para América Latina do BNP Paribas, até acredita que a taxa de câmbio continuará vulnerável a choques no curto prazo, mas vê queda do dólar no segundo semestre à medida que a economia reabrir.

“O câmbio fica muito ruim, muito suscetível a choques e a ruídos no curto prazo. Mas, à medida que vai entrando a recuperação, outro estágio da economia, a moeda (o real) tende a performar melhor, a voltar um pouco mais para próximo de onde a gente acredita em termos de fundamento”, afirmou.

O BNP projeta dólar de R$ 5 ao fim do ano.

Maiores altas:

Lojas Americanas (+9,31%)
B2W (+8,97%)
Cogna (+5,87%)

Maiores baixas:

Eneva (-7,09%)
MRV (-2,76%)
Cielo (-2,09%)

(Com a Reuters)

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