O Ibovespa fechou nesta quinta-feira (15) em alta de 0,34%, aos 120.700 pontos, em dia de realização de lucros, enquanto a Cia. Hering disparou mais de 28% após virar alvo de aquisição.

O dólar, por sua vez, caiu 0,75%, a R$ 5,6276 na venda, menor patamar desde 8 de abril (R$ 5,5744).

O que aconteceu com a Bolsa? O Ibovespa chegou a superar os 121 mil pontos nesta quinta-feira, apoiado principalmente em ações de frigoríficos e de mineração e siderurgia, mas perdeu força durante a tarde com o cenário fiscal trazendo receio aos investidores.

E isso em um dia de cenário externo bastante positivo. Wall Street registrou novas máximas históricas de S&P 500 e Dow Jones, com dados macroeconômicos e corporativos reforçando a percepção de retomada da economia norte-americana.

“O ponto mais importante de hoje é que saíram dados da economia norte-americana que reforçam a volta do crescimento”, avaliou o diretor de investimentos da Reach Capital, Ricardo Campos, destacando ainda a queda nos rendimentos dos Treasuries.

De acordo com Campos, esse cenário fez com que os ativos de todos emergentes se beneficiassem, com reflexos também no Brasil, com risco-país, juros e dólar caindo e bolsa subindo.

Na visão de participantes do mercado, porém, a robustez do mercado brasileiro continua restrita pela crise sanitária, além da cena política tensa e da situação fiscal periclitante. Para efeito de comparação, o S&P 500 acumula em 2021 valorização de 11%, enquanto o Ibovespa sobe apenas 1,41% e cai 6,28% quando considerado o desempenho em dólar.

As perspectivas para o Orçamento seguem nebulosas. Na visão do mercado, o presidente Jair Bolsonaro está cada vez mais entre a cruz e a espada: se vetar parte das despesas previstas no projeto que veio do Congresso, perde o apoio do Centrão, como o presidente da Câmara, Arthur Maia, deixou bem claro.

Por outro lado, se não vetar, pode cometer crime de responsabilidade e enfraquecer ainda mais o ministro Paulo Guedes, o que adiciona incerteza. Na visão do economista-chefe da RIVA Investimentos, Pedro Nunes, o mercado brasileiro poderia estar em outro patamar se a questão fiscal doméstica fosse solucionada. “Mas ela continua sendo postergada.”

O grande destaque do dia na Bolsa foi Hering ON, que saltou 28,13%, maior alta diária desde 2004, para R$ 21,91, após a varejista de moda receber – e recusar – proposta de fusão feita pela fabricante de calçados e acessórios Arezzo. Na negativa à proposta, a Cia Hering afirmou que manterá seu plano estratégico de combinar construção de marcas e expansão, com a busca por crescimento orgânico, e análise de “oportunidades inorgânicas”, abrindo espaço para a avaliação de que a empresa se transformou em alvo de aquisição. Curiosamente, Arezzo ON, que não está no Ibovespa, disparou 8,35%, renovando máxima de fechamento a R$ 80,95.

O que aconteceu com o dólar? A moeda norte-americana caiu 0,75%, a R$ 5,6276 na venda, menor patamar desde 8 de abril (R$ 5,5744).

Investidores lá fora seguem animados com as perspectivas para a economia dos Estados Unidos, em meio a estímulos e aceleração da vacinação, com o otimismo reforçado por dados acima do esperado.

Ivo Chermont, sócio e economista-chefe da Quantitas, avalia que o clima favorável a risco no exterior tem ajudado o real a se valorizar nos últimos dias, mas ressalva que a moeda brasileira ainda perde contra pares emergentes, sinal de que o câmbio segue com melhora limitada devido a problemas locais.

O real perde 7,3% ante o peso mexicano em 2021, enquanto cai 10,9% frente ao rand sul-africano e recua até mesmo contra a lira turca (-0,4%), a moeda mais volátil entre as principais dos mercados emergentes.

“Acho que, no ponto atual, se o Brasil fizer o dever de casa, o real ainda fica meio de lado”, disse Ivo Chermont, sócio e economista-chefe da Quantitas. Por “dever de casa” Chermont considera evitar mais gastos extra-teto e tentar convencer investidores de que 2022 não verá trapalhadas no Orçamento.

Analistas e o próprio presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, reconhecem o peso da preocupação fiscal nos preços do dólar, que nos atuais patamares faz do real a moeda mais barata no mundo, segundo o Deutsche Bank.

Maiores altas:

Hering (+28,13%)
JBS (+3,63%)
Braskem (+3,54%)

Maiores baixas:

Pão de Açúcar (-5,08%)
PetroRio (-4,13%)
IRB Brasil (-2,95%)

(Com a Reuters)

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