A bolsa paulista fechou no vermelho nesta quinta-feira, contaminada pelo viés negativo em Wall Street, além de resultados aquém das expectativas, que derrubaram as ações de Ultrapar e GPA.

O Ibovespa, índice de referência do mercado acionário brasileiro, caiu 1,66%, a 114.586,24 pontos. O volume financeiro somou R$ 25,47 bilhões.

Coronavírus volta a pesar. No mercado norte-americano, a piora foi relacionada por alguns operadores a uma notícia do Global Times de que o hospital central de Pequim reportou 36 novos caos de coronavírus, trazendo preocupações sobre um surto na capital.

Notícias de duas novas mortes no Japão e aumento de novas infecções na Coreia do Sul também pressionaram, ofuscando decisão do banco central chinês de reduzir a principal taxa de juros do país para atenuar os efeitos do surto.

Em Nova York, o S&P 500 fechou em baixa de 0,4%, enquanto o Nasdaq perdeu 0,7% e o Dow Jones caiu 0,4%.

A equipe da Oxford Economics estimou que uma pandemia do coronavírus poderia cortar US$ 1 trilhão do PIB mundial embora esse não seja o seu cenário base, que contempla um efeito grande, mas de vida curta e centrado na China.

“Nós projetamos que o surto irá cortar o PIB global para apenas 1,9% ano a ano no primeiro trimestre e para 2,3% no ano como um todo, o mais fraco desde 2009”, calculam.

Destaques da Bolsa

PETROBRAS PN caiu 2,1% e PETROBRAS ON recuou 2,5%, mesmo com a avaliação de modo geral positiva para o desempenho operacional da petrolífera no último trimestre do ano, além de anúncio de pagamento de dividendos. A queda acontece após as PNs terem subido 4% nos últimos dois pregões, enquanto as ONs avançaram 2,7%.

ULTRAPAR ON recuou 7,3%, após divulgar na noite da véspera lucro ajustado de R$ 133 milhões para o quarto trimestre, em um balanço que trouxe impacto de uma baixa contábil de mais de meio bilhão de reais na rede de drogarias do grupo, a Extrafarma. Em teleconferência com analistas, executivos da empresa estimaram que todos os negócios do grupo vão apresentar resultados positivos em 2020.

GPA PN também fechou em baixa de 7,3%, pressionada pelo resultado do quarto trimestre, quando o lucro líquido consolidado somou R$ 98 milhões, queda de 71,4% ante mesma etapa de 2018. Em teleconferência, executivos da varejista disseram que a companhia mira vender mais de 3 bilhões de reais em ativos não essenciais nos próximos meses.

GOL PN caiu 4,3% tendo de pano de fundo queda de 47,9% no lucro líquido após participação minoritária no quarto trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior, para R$ 351,9 milhões, embora analistas tenham avaliado positivamente números operacionais da empresa. A companhia aérea também divulgou previsões para 2020 e 2021.

MARFRIG ON subiu 0,15%, devolvendo perdas de mais cedo após reverter resultado negativo bilionário sofrido no quarto trimestre de 2018 e registrar um lucro modesto no final do ano passado. O Ebitda ajustado somou R$ 1,6 bilhão, salto de 70,5%. O papel vinha de cinco altas seguidas, período em que acumulou ganho de 27,55%

EMBRAER ON avançou 3,4%, após o Tribunal do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) decidir na quarta-feira confirmar a operação de venda do controle da divisão de aviação comercial da companhia para a norte-americana Boeing, que tinha sido aprovada em janeiro sem restrições por decisão do superintendente-geral da autarquia.

MRV ON e CYRELA ON subiram 0,3% e 0,45%, respectivamente, tendo no radar nova linha de crédito imobiliário da Caixa Econômica Federal com taxa prefixada. O índice do setor imobiliário encerrou em baixa de 0,8%.

VALE ON cedeu 1,2%, contaminada pelas vendas generalizadas, mas com o declínio atenuado pela alta dos preços do minério de ferro na China, enquanto agentes financeiros aguardavam o resultado trimestral da mineradora, agendado para após o fechamento do mercado. Analistas do Bradesco BBI estimam Ebitda de US$ 4,9 bilhões.

BRADESCO PN caiu 1,4% e ITAÚ UNIBANCO PN recuou 0,35%, também afetados pelo viés negativo como um todo. O Banco Central informou nesta quinta-feira que reduziu a alíquota do recolhimento compulsório sobre recursos a prazo de 31% para 25%. BANCO DO BRASIL ON cedeu 1%.

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