O Ibovespa afundou mais de 3% nesta sexta-feira (30), tocando mínimas desde maio, em meio à forte queda das ações da Vale, mas também pressionado por receios com o cenário doméstico, que afiançaram movimentos de realização de lucros no último pregão do mês.

O índice de referência do mercado acionário brasileiro fechou em queda de 3,08%, a 121.800 pontos, segundo dados preliminares, acumulando declínio de 2,4% na semana e de 3,8% no mês. Foi a primeira perda mensal desde fevereiro, depois de alta de 15% nos quatro meses anteriores.

Já o dólar fechou em alta de 2,57%, a R$ 5,210.

O que aconteceu com a Bolsa? Os contratos futuros de minério de ferro na Ásia levaram nesta sexta-feira, pressionados pela decisão da China de reduzir a produção de aço e pela diminuição na demanda doméstica pelo material de construção e manufatura. As ações da Vale, que já haviam sofrido baixa ontem em razão dos resultados da empresa aquém das expectativas do mercado, derreteram quase 6%, afundando o Ibovespa.

No cenário brasileiro, repercutiu mal entrevista do presidente Jair Bolsonaro a uma rádio voltando a citar uma eventual manutenção do auxílio emergencial e um aumento do Bolsa Família, com temores de que o governo assuma um viés mais populista conforme registra queda em pesquisas.

Fontes também afirmaram à Reuters que o governo federal planeja incluir um vale-gás na reformulação dos programas sociais que será anunciada no mês de agosto para compensar os reajustes recordes do combustível.

“Com nível de reprovação recorde nas últimas pesquisas, o presidente quer elevar em 50% o valor médio do Bolsa Família e defendeu que o país se endivide para custear o programa social. Ou seja, tudo o que o mercado não quer ouvir em termos de risco fiscal”, resume Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora.

Por falar em situação fiscal, foram divulgados hoje os dados das contas públicas de junho – que apontam déficit primário de R$ 65,5 bilhões, enquanto a dívida bruta atingiu 84,5% do PIB.

De pano de fundo, persistem preocupações com o comportamento da inflação no país, cada vez mais distante do centro da meta definida pelo Banco Central, com perspectivas para a taxa básica de juros Selic no final do ano chegando a 7% conforme a mais recente pesquisa Focus.

O que aconteceu com o dólar? O dólar saltou mais de 2% nesta sexta-feira, praticamente zerando em apenas uma sessão a queda acumulada em toda a semana, puxado por um forte movimento de compras defensivas em meio a renovados ruídos fiscais no país, que se somaram ao efeito negativo do clima arisco no exterior.

O dólar à vista fechou em alta de 2,57%, a R$ 5,210 na venda. Na semana, a moeda teve variação negativa de 0,04%, depois de até quinta-feira recuar 2,51%.

Em julho, o dólar subiu 4,66%. A alta mensal é a maior desde janeiro (+5,53%) e fez a cotação devolver quase totalmente a queda de junho (-4,77%). Para meses de julho, a valorização foi a mais forte desde 2015 (+10,16%). Em 2021, o dólar volta a acumular ganho de 0,32%.

Lá fora, a moeda norte-americana subia 0,27%, tomando distância de mínimas em um mês atingidas na véspera. O dólar tinha nesta sessão alta generalizada contra divisas de risco de perfil semelhante ao real, que teve no dia o segundo pior desempenho global, melhor apenas que o sol peruano.

Melhores desempenhos:

Telefônica Brasil (+0,39%)
JBS (+0,34%)
Cielo (+0,30%)

Piores desempenhos:

Localiza (-7,36%)
Banco Inter (-5,99%)
Vale (-5,89%)

Com a Reuters

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