O Ibovespa fechou em queda nesta quarta-feira, chegando a ficar abaixo dos 115 mil pontos no pior momento, com blue chips como Vale e Itaú Unibanco entre as principais pressões, enquanto Bradespar figurou entre as maiores altas.

O índice de referência do mercado acionário brasileiro caiu 0,96%, a 115.062 pontos. Uma combinação de fatores pesou nesta sessão, marcada pelo vencimento de opções sobre o Ibovespa, que reavivaram o quadro ainda complicado para o país, bem como certas incertezas no ambiente externo.

Já o dólar fechou em baixa de 0,38%, cotado a R$ 5,237.

O que aconteceu com a Bolsa? Encurralado entre o pessimismo externo e as incertezas domésticas, o Ibovespa não teve para onde correr e passou o dia no vermelho. Os maus ventos sopraram principalmente da China, que vem tendo sua atividade econômica deprimida pelo persistente coronavírus.

“Dados de venda no varejo e produção industrial do país asiático divulgados pela manhã mostraram mais uma vez a desaceleração do crescimento na região, o que tende a diminuir a demanda de commodities para os próximos períodos e impactando a perspectiva dos preços”, observa Pietra Guerra, analista da Clear Corretora.

A repercussão negativa sobre os preços do minério de ferro foi imediata, e as ações da Vale responderam em forte queda, pressionando o Ibovespa para baixo, dada a relevante composição de mineração e siderurgia no índice, que também foi afetado por problemas locais.

As atenções, na visão do BTG Pactual, continuam voltadas para o andamento das reformas a fim de consolidar um alívio político local, com destaque para as negociações sobre o teto de gasto e o desfecho envolvendo a questão dos precatórios.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, destacou a necessidade de compreensão e ajuda para o governo resolver o problema dos precatórios, expressando confiança de que isso será feito em conjunto com o Legislativo e Judiciário.

No entanto, agentes financeiros continuam enxergando que a questão está “emperrada” e receosos com um avanço no curto prazo, principalmente após reveses do governo em decisões recentes no Congresso.

Estrategistas do Itaú BBA cortaram o preço-alvo para o Ibovespa de 152 mil para 120 mil pontos, citando deterioração na perspectiva macroeconômica do país, bem como aumento de riscos fiscais e um cenário hídrico desafiador.

Entre os destaques do dia, Banco Inter perdeu 3,48% nas Units e 3,45 nas ações preferenciais, sofrendo ajustes após duas sessões de valorização consecutivas, em pregão majoritariamente negativo para bancos, com Santander perdendo 2,06%, Itaú Unibanco caindo 1,62% e Bradesco cedendo 0,90%.

Na outra ponta, Bradespar saltou 5,23%, após aprovar bonificação em ações, bem como distribuição de ações da Vale a seus acionistas – o que deve ser aprovado em assembleia em 15 de outubro – e desdobramento de ações. Analistas avaliam que o movimento deve reduzir o desconto de holding.

E Gol subiu 2,59%, com analistas avaliando positivamente o efeito na liquidez da companhia aérea de acordo de codeshare exclusivo com a American Airlines válido por três anos, em que receberá um investimento em ações de US$ 200 milhões.

O que aconteceu com o dólar? O dólar fechou em queda ante o real nesta quarta-feira, com o mercado embarcando em vendas na parte da tarde na esteira do fortalecimento do apetite por risco no exterior.

O dólar à vista caiu 0,38%, a R$ 5,237. A cotação variou de R$ 5,273 (+0,27%) a R$ 5,2304 (-0,54%).

Uma combinação entre celeuma política, risco fiscal e fluxos negativos pode trazer volatilidade ao real, apesar do benefício à moeda decorrente da perspectiva de alta de juros, disseram Gabriel Tenorio e Claudio Irigoyen, do Bank of America, em relatório nesta quarta-feira.

O banco norte-americano, inclusive, elevou a projeção para o dólar em dezembro, de R$ 5 para R$ 5,10, devido à escalada do risco político. Eles notaram que a pandemia arrefeceu no Brasil, mas ponderaram que a economia está desacelerando enquanto a inflação continua a surpreender para cima, o que vai levar o Banco Central a subir a taxa Selic para 8% até o término deste ano, ante os atuais 5,25%.

“Apesar disso (alta de juros e pandemia em declínio) estamos cautelosos”, disseram Tenorio e Irigoyen, que veem o barulho político como “muito alto” em meio a “fortes” atritos entre Executivo, Legislativo e Judiciário.

“Há grande incerteza fiscal, com o impulso para expandir o programa social Bolsa Família e a necessidade de acomodar no Orçamento passivos na forma de pagamentos de precatórios acima do esperado”, disseram.

O real, pelos cálculos do BofA, está 21% abaixo de seu valor justo (em torno de R$ 4,20 por dólar). Com tanta “gordura” para queimar, o banco privado espera que o câmbio devolva algum prêmio de risco em meio ao ciclo de alta de juros e a um eventual alívio na incerteza político-fiscal.

“Em nossa opinião, os principais riscos seriam as incertezas fiscais e políticas aumentarem ainda mais, causando surtos de volatilidade na moeda”, disseram Tenorio e Irigoyen. De acordo com dados da Refinitiv, o real há tempos é a moeda emergente com maior volatilidade implícita.

O BofA estima que o dólar fechará o primeiro trimestre de 2022 em R$ 5,10 e o segundo a R$ 5,20.

Maiores altas:

PetroRio (+7,44%)
Bradespar (+5,23%)
Gol (+2,59%)

Maiores baixas:

Cogna (-4,42%)
SulAmerica (-4,05%)
Americanas SA (-4,00%)

Com a Reuters

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