Você pode ganhar muito ou perder tudo. Esse é um bom resumo de como funciona a opção de ações, um tipo de transação financeira que a princípio deveria ser para proteção mas que vem sendo cada vez mais utilizada por pequenos investidores para especular – com resultados desastrosos em alguns casos.

O 6 Minutos preparou um guia para você entender melhor esse produto e ficar atento aos riscos que ele embute quando negociado somente com o objetivo de se alcançar grande lucro em um espaço pequeno de tempo.

O que é opção de ações? É um tipo de operação que dá ao investidor o direito de comprar ou vender, em uma data futura, uma ação por um preço combinado no presente. Como esse é um conceito complexo, vamos dar um exemplo da vida real para explicar melhor.

Suponha que você quer comprar a casa de um amigo. Você propõe pagar a ele R$ 5.000 apenas pelo direito de, daqui a um mês, comprar o imóvel por um preço pré-acertado: R$ 500 mil.

Você pode ou não realmente comprar a casa, apenas está adquirindo o direito de fazê-lo se quiser.

Por que esse negócio seria fechado por ambas as partes? Esse negócio pode ser vantajoso para ele, já que, se você não exercer esse direito, ele fica com R$ 505 mil (a casa mais os R$ 5 mil).

Para você, pode ser uma forma de lucrar, caso tenha uma informação de que a casa dele se valorizará muito em um mês.

Vamos imaginar que nesse exemplo hipotético só você sabe que o terreno está para entrar em uma lista de aquisições de emergência da prefeitura para a construção de um parque.

Quando chega a hora do vencimento da sua opção, o imóvel está valendo R$ 700 mil. Nesse caso, você lucrou R$ 195 mil (o valor atual da casa menos o que pagou pelo direito de comprá-la).

E qual o risco que você corre? De a sua informação não proceder e a casa se desvalorizar ou mesmo manter o mesmo valor no período. Nesse caso, o seu direito de comprá-la, pelo qual pagou R$ 5 mil, não vale nada. Ou seja, você perdeu 100% do seu investimento, que “virou pó”, no jargão do mercado financeiro.

É exatamente dessa forma que funciona o mercado de opções na Bolsa.

Se um investidor acredita que uma determinada ação vai se valorizar muito daqui a um mês, ele pode comprar o direito de adquiri-la no futuro por um valor específico. Se o papel atingir R$ 15, por exemplo, e ele comprou por R$ 1 o direito de comprá-la a R$ 10, terá lucrado R$ 4 (ou seja, R$ 5 de valorização menos R$ 1 que ele pagou pela opção em si).

Se ficar abaixo disso, a opção virou pó. O mercado tem um nome para esse tipo de papel: call (para o direito de compra de uma ação) e put (para o direito de venda). O vencimento das opções é sempre mensal.

Para quem é esse tipo de operação? Uma das vantagens é que a opção requer apenas uma fração do valor da ação para investimento. Ou seja, se você não tem recursos para pagar por uma ação inteira, pode aplicar apenas um percentual pelo direito de comprá-la lá na frente.

Além disso, a opção de ações é um instrumento importante de hedge (proteção contra variações de preços bruscas no futuro). “O grande objetivo da opção é prover proteção e montar estruturas em que o investidor possa se preparar para diferentes cenários, potencializando seus ganhos”, explica Rafael Panonko, analista-chefe da Toro Investimentos.

Essa é uma possibilidade valiosa para investidores extremamente experientes. Muitas gestoras, por exemplo, possuem um especialista em opções identificando as melhores oportunidades desse mercado.

E quais os cuidados a tomar? Se você é um pequeno investidor, o melhor é evitar as opções. Isso porque fazendo negócio com você, na outra ponta de uma opção de ação, está um fundo de investimento muito mais preparado para enxergar o que vem pela frente.

“O pior cenário para o pequeno investidor é aquele em que compra a opção e espera pela valorização, simplesmente. Chamamos isso de operar a seco. Leva um investidor iniciante para uma zona onde vai perder muito dinheiro, porque ele é novato”, lembra Panonko.

Jorge Junqueira, sócio da Gauss Capital, dá um bom exemplo para explicar como a aplicação em opções é muito mais arriscada do que o mercado à vista de ações.

“Se você compra uma ação a R$ 10 e daqui a um mês ela vai para R$ 7, você perdeu 30%. Se compra uma opção de comprá-la a R$ 10 e ela cai para R$ 7, você perdeu 100% do seu dinheiro”, lembra.

Além disso, é uma aplicação de curtíssimo prazo. “Em vez de estar investindo naquela empresa pela vida inteira dela, é só até o próximo mês. Se uma ação cai no curto prazo, você pode esperar até ela se recuperar. Com a opção não funciona assim”, diz Junqueira.

 

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