Depois de o Ibovespa voltar a operar abaixo dos 100 mil pontos, os investidores já se perguntam se o caminho à frente é de recuperação ou de um trecho a mais de queda. Os eventos econômicos da próxima semana serão determinantes para a toada da bolsa de valores brasileira, mas é importante ter em mente que as oscilações no mercado norte-americano também deverão ser observadas de perto. Nesse sentido, é bom ouvir o que o Banco Central americano, o Federal Reserve, tem a dizer.

Veja os principais assuntos que devem nortear o mercado financeiro nesta semana:

Termômetro do PIB

Na segunda-feira (dia 14), o Banco Central divulgará os dados do IBC-Br, índice que é uma espécie de antecedente do PIB — ele indica a tendência da atividade econômica mensalmente. Pelo IBC-Br dá para ter uma ideia se a economia está crescendo ou caindo, e em qual ritmo está a atividade dos principais setores.

A expectativa dos analistas é que o resultado de segunda-feira aponte para um crescimento de mais de 4% em julho, frente ao mês anterior. O IBC-Br está em alta desde maio, mas engatou um ritmo de recuperação mais significativo em junho. Os dados do varejo e de serviços, divulgados na última semana, mostraram que a reabertura gradual da economia tem surtido efeito positivo sobre as empresas do setor, e que a recuperação pode ser mais ágil do que o esperado.

Se essa tese se confirmar, o Ibovespa pode voltar a subir, mas a recuperação ainda dependerá de outros fatores, que serão definidos por outros eventos da semana.

Copom

Na quarta-feira (dia 16), o Banco Central do Brasil divulgará sua decisão sobre a taxa básica de juros, a Selic. A decisão, em si, não deve trazer muita surpresa: a expectativa dos economistas é que os juros fiquem como estão, em 2% ao ano. No entanto, a ata do Copom (Comitê de Política Monetária) dará pistas sobre a trajetória da Selic daqui para a frente.

Até a última ata, a autoridade monetária havia demonstrado tranquila frente ao cenário de juros, já que a inflação permanecia sob aparente controle. No entanto, com a guinada recente nos preços dos alimentos e no IGP-M (índice que acompanha os preços para o setor produtivo) um sinal amarelo surgiu no painel dos economistas.

É possível que a ata do Copom mostre qual o nível de preocupação do BC com a inflação, e qual a chance de essa mudança recente de cenário abreviar o movimento de alta de juros no Brasil.

Fed

Quarta-feira (dia 16) será um dia recheado de notícias. No meio da tarde, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, discursará sobre os rumos da política monetária dos EUA. A fala de Powell deve ser ouvida atentamente, já que o Fed mudou suas diretrizes há pouco tempo, indicando que tolerará uma inflação mais alta para estimular o crescimento da economia do país. Essa nova postura sugere que os juros continuarão baixos por lá.

Juros baixos nos Estados Unidos indicam um enfraquecimento do dólar em países emergentes — inclusive no Brasil — e um estímulo à liquidez no mercado financeiro. “Os investidores devem observar como os ativos de risco se comportarão, diante da fala do presidente do Fed”, pontua Henrique Esteter, analista da corretora Guide Investimentos.

Ele explica que o Ibovespa pode surfar essa onda, mas tudo dependerá de como as bolsas americanas vão se comportar.

Ações de tecnologia nos EUA

Em geral, a política de juro baixo também impulsiona as bolsas americanas, mas o problema é que há um efeito embolando o meio de campo. Desde a semana passada, as ações de empresas de tecnologia estão em baixa, em razão de uma correção técnica promovida pelo mercado.

Depois de descobrirem que a alta de até 400% nas ações do setor de tecnologia havia sido motivada por uma estratégia de compra de opções pelo Softbank (a gente explica melhor essa história em uma matéria), os investidores correram para realizar lucro, causando um derretimento nas cotações. O índice Nasdaq, que acompanha as principais empresas de tecnologia, acumula perda de quase 10% nos últimos 10 dias.

“Esta semana vai ser decisiva para vermos se essa queda foi, de fato, realização de lucros ou uma inversão de tendência para as ações de tecnologia, que só vinham crescendo”, diz Esteter, da Guide.

Ibovespa vai recuperar os 100 mil pontos?

O pessimismo no mercado americano acabou contribuindo para a perda dos 100 mil pontos do Ibovespa. Mas é importante dize que embora o Nasdaq esteja sob forte correção, os outros índices financeiros (S&P 500 e Dow Jones) já voltaram a operar no azul, o que pode reduzir o impacto negativo sobre o Ibovespa. Entre os três principais índices dos EUA, o que mais se correlaciona com o mercado brasileiro é o S&P 500, que fechou a última sexta-feira (11) em ligeira alta.

Caso reforce a política de juro baixo e estímulo financeiro, o discurso do Fed pode dar uma guinada nas cotações nos Estados Unidos, o que pode dar um duplo reforço à recuperação do Ibovespa.

IPO da Plano&Plano

Na quinta-feira, a construtora Plano&Plano, pertencente ao grupo da Cyrela, estreará na bolsa de valores. A empresa, que é focada no segmento de baixa renda, principalmente nos imóveis construídos no âmbito do programa Minha Casa Minha Vida, pode levantar mais de R$ 1 bilhão na sua oferta de ações.

A precificação ainda não foi realizada, mas o intervalo de valor das ações está entre R$ 11,25 e R$ 15,25. O prazo de reserva de papéis vai até o dia 15, terça-feira.

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