Após um final de semana digerindo a indicação de um general para o comando da Petrobras e as ameaças do presidente Jair Bolsonaro de mais interferências em estatais, a reação do mercado nesta segunda-feira foi mais do que esperada: a gigante de petróleo caiu mais de 20%, o Ibovespa tombou quase 5% e o dólar subiu a despeito de atuação do Banco Central no mercado.

Alguns índices, entretanto, conseguiram manter a cabeça acima da água (ou tombaram bem menos do que o resto do mercado). São eles: o IMAT (índice de materiais básicos, formado principalmente por empresas exportadoras, como papeleiras e siderúrgicas), índice de BDRs (papéis negociados no Brasil que representam ações estrangeiras) e o Ifix (índice de fundos imobiliários).

Em comum, os papéis que subiram possuem o fato de se beneficiarem de um real mais fraco ou serem menos expostos ao chamado risco Brasil –são ações de empresas fortemente exportadoras ou negociadas em mercados externos.

Veja abaixo os índices que tiveram melhor desempenho nesta segunda.

Índice de Materiais Básicos

No dia em que o Ibovespa tombou 4,8%, o IMAT, formado por ações do setor de papel e celulose e siderúrgicas, ostentou uma alta de 0,24%, que seria insignificante em qualquer outro dia, mas um feito a ser quase celebrando nesta segunda.

Formado por empresas fortemente exportadoras e que foram beneficiadas pela alta do dólar desta segunda, o índice foi puxado por empresas de papel e celulose (Klabin e Suzano tiveram ganhos de mais de 2%) e siderúrgicas (CSN e Usiminas também fecharam no terreno positivo).

“Algumas empresas, como Usiminas e CSN, subiram por causa da alta do dólar”, explica João Beck, economista e sócio da BRA Investimentos. As perspectivas de preços mais altos para papel e celulose e minério de ferro também ajudaram a segurar as ações do segmento.

Índice de BDRs

BDRs não patrocinados foi o outro índice que conseguiu sobreviver à sangria desta segunda-feira, apresentando uma variação positiva de 0,14%. “Os BDRs são cotados em dólar”, explica Beck. “Só pelo fato de a moeda americana subir, eles já sobem”.

Além disso, são papéis que não carregam o risco do Brasil, que subiu após as declarações do presidente.

Para Rossano Oltramari, sócio e estrategista da gestora 051 Capital, a tendência é que notícias melhores para a economia nas próximas semanas, como o andamento de reformas e a sanção à autonomia do Banco Central, ajudem a reduzir um pouco o desconforto do mercado com papéis brasileiros.

Apesar disso, ele alerta que essa desconfiança é muito forte. “Esse viés de intervenção é muito ruim para o mercado, passa uma imagem muito negativa. Hoje é a Petrobras, amanhã a Eletrobras, depois pode ser a questão fiscal”.

Índice de fundos imobiliários

Os fundos imobiliários fecharam o dia em queda, mas essa perda foi de 0,66%, muito menor do que a de outros índices que encerraram o pregão em terreno negativo.

Segundo Felipe Solzki, gerente de portfólio imobiliário da Galápagos Capital, mesmo essa queda pode ser considerada exagerada.

“Os investidores desses fundos são nacionais. Se você pegar o último relatório da bolsa, verá que a participação de não residentes no país é de somente 4%. É um mercado dominado por pessoas físicas”, afirma, ao explicar a diferença de comportamento entre os fundos imobiliários e ações de empresas do mercado imobiliário –o Imob (índice imobiliário), recuou 3,7% nesta segunda. “Além disso, os impactos de movimentos como alta de juros futuros sobre os fundos imobiliários é secundário, diferentemente de incorporadoras”.

 

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