Em meio a um movimento de forte realização de lucros e expectativa do mercado de alta dos juros antes do esperado no Brasil, o dólar fechou o pregão desta terça-feira (12) em forte queda de 3,29%, a R$ 5,32, no maior recuo em dois anos e meio.

Já a Bolsa, seguindo a tendência levemente positiva dos mercados internacionais, subiu 0,60%, a 123.998 pontos.

O que aconteceu com o dólar? Um forte movimento de realização de lucros ditado pelo exterior levou o dólar à maior queda em dois anos e meio nesta terça-feira, com a moeda devolvendo em apenas um dia mais da metade do ganho acumulado nas primeiras sessões de 2021.

O real liderou, com folga, os ganhos entre as principais moedas globais, depois de encabeçar as perdas nas últimas sessões.

A queda do dólar no Brasil ocorreu no dia em que o IBGE divulgou que a inflação medida pelo IPCA teve em 2020 a maior taxa em quatro anos, ficando acima da meta de 4%.

Uma das discussões no mercado doméstico é se o Banco Central poderia ser forçado a antecipar o processo de elevação dos juros.

O mercado tem avaliado que parte da pressão sobre o real desde o ano passado decorre do baixo nível de juros, com a Selic na mínima histórica de 2% deixando a moeda brasileira como opção barata para hedge ou mesmo como fonte de financiamento.

Em live nesta terça, o diretor de Política Monetária do Banco Central, Bruno Serra, disse ser natural imaginar que o “estímulo extraordinário” que o Banco Central está concedendo à economia via política monetária será retirado de cena em algum momento. O diretor afirmou ainda que o patamar atual do dólar é reflexo da incerteza fiscal e da mudança nas regras de hedge anunciada durante a pandemia.

O que aconteceu com a Bolsa? O Ibovespa seguiu a tendência levemente positiva das praças globais nesta terça, com ações domésticas voltando a atrair fluxo comprador externo, embora investidores sigam alertas com notícias da Covid-19 e de riscos fiscais no Brasil.

A demanda por ações de empresas exportadoras, potenciais beneficiárias da escalada recente do dólar contra o real, e de companhias ligadas ao mercado doméstico vistas como mais preparadas para capitalizar com a recuperação da atividade econômica animou o mercado.

“O cenário pode indicar investidores comprando, em busca de papéis baratos após a queda da véspera, mas o cenário permanece volátil”, resumiu a equipe da Levante Investimentos.

De fato, diversos relatórios desta manhã apontavam para uma série de riscos no radar que podem fazer o fluxo mudar de direção, considerando aspectos domésticos.

Um deles é o de consequências econômicas da pandemia se espalhem por 2021, incluindo inflação maior e ampliação dos programas de auxílio emergencial. Nesta manhã, o IBGE informou que o IPCA subiu 1,35% em dezembro, fechando o ano com avanço de 4,52%, acima das previsões do mercado.

“O avanço da pandemia em praticamente todos os estados brasileiros traz à tona uma nova rodada de discussões sobre novas medidas de auxílio para a população mais vulnerável, o que esbarra na questão fiscal”, afirmou a equipe da Consulenza Investimentos, em nota a clientes.

Maiores altas:

Embraer (+ 7,90%)
Atacadão (+ 6,05%)
Cyrela (+ 5,33%)

Maiores baixas:

Copel (-3,23%)
Gerdau (- 2,76%)
Notre Dame (-2,74%)

(Com a Reuters)

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