Afinal, a bolsa brasileira já subiu demais e está cara ou ainda há espaço para ganhos? Essa é a pergunta que divide analistas, em especial os que trabalham para instituições financeiras estrangeiras.

Para Emy Shayo, estrategista de ações para a América Latina do JPMorgan Chase, impulsionada pelas reformas econômicas e a migração para a renda variável motivada pelos juros baixos, a bolsa ainda dispõe de espaço para subir. “O Brasil tem uma história para contar, uma narrativa”, disse em entrevista à Bloomberg.

Segundo a analista, o avanço da agenda econômica contribuiu para deixar a relação entre preços e lucros das empresas listadas na B3 acima da média histórica, fenômeno considerado comum em países que passaram por tais mudança, como a Índia e o México. “Há um prêmio por reformas,” disse ela.

Emy, que prevê uma expansão de 2% do PIB, vê a perspectiva de recuperação como “mais estrutural”, mas ainda dependente da implementação da agenda do governo. A expectativa é que as reformas sigam evoluindo, apesar das eleições municipais de outubro e das sucessões dos presidentes da Câmara e Senado em 2021.

A estrategista acredita na aprovação do marco do saneamento neste ano e considera relevante o avanço da chamada PEC (Proposta de Emenda à Constituição) emergencial, que facilita o cumprimento do teto de gastos, e da reforma administrativa. Já a reforma tributária enfrenta falta de consenso na sua avaliação.

“É importante entregar as reformas para manter este momentum e ter expectativa de lucros crescentes das empresas”, disse Emy. “O importante é ter progresso (na agenda).”

Migração

A bolsa também é favorecida pelas perspectivas mais favoráveis sobre a economia global — com a trégua na guerra comercial — e pela maior procura pela renda variável entre investidores locais, que buscam alternativas em um cenário em que a Selic no piso histórico derruba retornos da tradicional renda fixa. O movimento tem compensado a saída dos investidores estrangeiros, que seguem retirando dinheiro do mercado.

Os fundos de ações encerraram 2019 com o melhor resultado anual e a maior captação líquida da indústria, com R$ 86,2 bilhões, um crescimento de 195% em relação a 2018, segundo dados da Anbima. Já a classe de renda fixa registrou saída líquida de R$ 69,3 bilhões em 2019, o pior resultado desde 2008.

A perspectiva é que o movimento continue. “A alocação pode dobrar em relação ao que está hoje,” disse Emy.

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