O estágio da vacinação contra o coronavírus passa a ser um dos critérios usados por investidores estrangeiros para decidir em quais países emergentes alocarão mais ou menos recursos, avaliam analistas. Esse fator passa a ser levado em conta porque o processo de imunização funcionará como uma espécie de termômetro do momento em que cada nação voltará de fato à normalidade.

Com o otimismo global com a eficiência das vacinas contra a covid-19 e a definição das eleições nos Estados Unidos, aumentaram os fluxos de investimentos para nações em desenvolvimento. Apenas no último trimestre de 2020, a bolsa brasileira recebeu uma injeção de quase R$ 56 bilhões, em um reflexo da busca por mais rentabilidade e mais risco.

A tendência é de continuidade desse movimento em 2021, em um cenário de juros baixos no mundo todo e expectativa de recuperação econômica com o final da pandemia. Mas o Brasil não é o único emergente disputando recursos estrangeiros.

“Os países que competem com o Brasil por recursos são principalmente a África do Sul, a Turquia e o México. O investidor vai começar a olhar também o progresso da vacinação em cada um na hora de decidir onde vai alocar recursos”, afirma o fundador da casa de análise Ohmresearch, Roberto Attuch.

Vacinação impacta indiretamente no cenário fiscal

Daniel Jannuzzi, especialista de investimentos da gestora digital Magnetis, concorda, ressaltando que é um fator a mais que será avaliado na hora da decisão de investimento. “Em especial os investidores internacionais têm a opção de investir no Brasil mas também em uma série de outros países”, aponta. “Quanto mais tempo a vacinação demorar, mais tempo demora para a economia reagir em termos de consumo, geração de empregos e de renda”.

Ele lembra que o progresso da vacinação impactará inclusive no cenário fiscal. “Nesse momento de crise, diversos países tiveram que lançar mão de programas de estímulos, o que elevou o endividamento. O Brasil teve uma alta bem significativa da sua dívida. Quanto mais rápido um país age na vacinação, menos estímulos são necessários, e menor é o impacto fiscal”.

Brasil está atrasado em compras de vacinas e seringas

Apesar de o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, ter afirmado em pronunciamento na noite desta quarta (dia 6) que o Brasil está preparado para iniciar a imunização da população no final deste mês, há dúvidas por parte de especialistas sobre a real velocidade em que esse processo acontecerá.

O plano de vacinação anunciado até agora foi duramente criticado, assim como o atraso brasileiro para aquisição de insumos e equipamentos. O fato de o Brasil ter apostado pesado em somente um imunizante, o de Oxford, e demorar para assegurar a compra da vacina da Pfizer, é outro fator que levanta dúvidas.

As objeções do governo federal à Coronavac —vacina que vem sendo alvo de disputa entre o presidente Jair Bolsonaro e o governador João Doria, de São Paulo, e que é a única para uso imediato atualmente –também acabaram criando dúvidas sobre se o imunizante será usado com rapidez e grande escala pelo governo federal –Pazuello garantiu nesta quinta (dia 7) que a vacina será comprada.

Para Rodrigo Knudsen, gestor da Vitro, haverá algum impacto do progresso vacinação sobre essas decisões de investimento, mas este será pequeno. “O dinheiro que está entrando é para um prazo mais longo, está entrando em ações. Nesse prazo, todo mundo estará vacinado. Acredito que outros fatores pesarão mais, como a questão fiscal”.

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