Companhias alinhadas com critérios ESG (sigla em inglês para governança ambiental, social e corporativa) e fundos que investem nessas empresas entregam resultados financeiros melhores do que as que não possuem essa preocupação. É o que apontam os três especialistas que, na tarde desta segunda (dia 11), participaram da rodada de debates ao vivo C6 Investor Talk, promovida pelo C6 Bank.

Além de o consumo consciente ser uma tendência global, essas empresas se beneficiam de taxas de juros mais baixas, possuem menos problemas com os órgãos reguladores de seus mercados e atraem mais talentos.

Fabio Alperowitch, fundador da FAMA Investimentos, a primeira gestora voltada a fundos ESG do Brasil, explica que um dos maiores entraves para o crescimento dessas aplicações é exatamente a percepção equivocada das pessoas de que elas não são rentáveis.

“Há uma explicação quase antropológica nessa percepção: quando você faz filantropia, não quer nada em troca. As pessoas passaram a achar que investir em fazer o bem não dá retorno”, afirma Alperowitch. “Mas há várias pesquisas acadêmicas que mostram que as empresas que entregam ESG têm melhores resultados”.

Crescimento acelerado nos próximos anos

A avaliação é que a tendência é de crescimento acelerado nos próximos anos de investimentos que levam em conta esses parâmetros. Um exemplo recente desse cenário: um fundo de índice com foco em critérios ambientais, sociais e de governança se tornou o mais popular entre mercados emergentes neste ano em meio à demanda por investimentos mais éticos.

O ETF iShares ESG Aware MSCI EM, com US$ 6 bilhões em ativos, recebeu entradas de quase US$ 4,2 bilhões em 2020, o maior volume entre todos os ETFs listados nos EUA que rastreiam ativos de países em desenvolvimento, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.

“Ao adotar a prática ESG, a empresa está aumentando sua transparência para o mercado, aumentando sua responsabilidade perante a sociedade e gerando melhores resultados para empregados, clientes, para toda a comunidade”, diz Juan Morales, da SulAmérica Investimentos.

ESG é estratégico

Morales lembra que esse mercado ainda está começando a pegar tração no Brasil. “Os gestores que deram o pontapé inicial vão se aproveitar da ineficiência no mercado, e outros ainda vão ter que correr atrás de um conhecimento que não vem de uma hora para outra”, afirma. “Existem evidências que o tema maximiza valor de investimentos. Um exemplo é que a emissão de green bonds, que estão captando dinheiro mais barato do que títulos tradicionais”.

Marcos Di Tullio, da gestora JPG, alerta que as empresas precisam enxergar cada vez mais as práticas sociais e ambientais de forma estratégia. “Com o ESG, as empresas conseguem atrair mais talentos, engajar mais os funcionários, e terem custos mais baixos de captação, sofrer menos pressões de reguladores. Essas empresas vão se beneficiar ao longo do tempo”, lembra.

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