A Bolsa brasileira seguiu os mercados americanos, animados com a expectativa de que os democratas não dominarão o Senado americano, e encerrou o pregão desta quarta-feira (dia 4) em alta de 1,97%, a 97.866 pontos.

O mesmo cenário beneficiou o real. O dólar encerrou as negociações em forte queda de 1,89%, a R$ 5,65.

O que aconteceu com a Bolsa? Durante o dia o Ibovespa chegou a recuperar o patamar dos 98 mil pontos, com os investidores animados com o balanço trimestral do Itaú Unibanco, com seus planos de vender a participação na XP, e com o avanço na apuração dos votos nas eleições americanas.

Em Wall Street, os papeis de empresas de tecnologia e de saúde puxaram as bolsas por causa da percepção de que, apesar de uma pequena vantagem de Joe Biden na disputa principal, está menor a chance de democratas formarem maioria no Senado e mudarem políticas para esses setores.

No Brasil, dados macroeconômicos, como o crescimento acima do esperado da produção industrial em setembro e aprovação no Senado da autonomia formal do Banco Central, dividiram os holofotes com o noticiário corporativo.

Os destaques do pregão foram os bancos, varejistas e empresas do setor imobiliário.

Maiores altas:

Cyrela (+ 7,27%)

Lojas Renner (+ 6,96%)

B2W (+ 6,59%)

Maiores baixas:

CSN (- 4,24%)

Gerdau (- 3,88%)

Met. Gerdau (- 3,75%)

E o que aconteceu com o dólar? Os investidores se animaram com o fato de a apuração das eleições não ter confirmado uma vantagem ampla de Biden sobre Donald Trump, cenário que era projetado por boa parte dos mercados.

Ainda que uma “onda azul”, em que os democratas conquistariam a Casa Branca e uma maioria parlamentar, seja vista como um cenário positivo para ativos arriscados, o discurso de Trump está bem mais alinhado ao do presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, disse Luciano Rostagno, estrategista-chefe do banco Mizuho.

Já Roberto Motta, responsável pela mesa de futuros da Genial Investimentos, argumentou que mesmo uma vitória de Biden poderia ter resultados positivos para o Brasil, uma tendência que vários analistas têm projetado para os mercados emergentes mais amplos.

“A plataforma do Biden será de gerar gastos de bilhões de dólares em infraestrutura, impulsionar a compra de commodities e melhorar as relações comerciais dos Estados Unidos”, disse, acrescentando que o fato de o Brasil ser a maior economia da América Latina seria motivo para uma aproximação de Biden, com suas divergências políticas em relação a Bolsonaro ficando em segundo plano.

“Tudo leva a crer que passada a concentração de atenção na eleição americana, ganhará dimensão maior no mundo a ‘retomada’ da crise da pandemia em seu segundo ciclo e as medidas de ‘lockdown’ e reações”, disse Sidnei Nehme, economista e diretor-executivo da NGO Corretora. “No Brasil aflorarão as discussões políticas em torno da crise fiscal, no primeiro momento.”

(Com a Reuters)

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