O dólar subiu 0,16% nesta terça (4), a R$ 5,1265 na venda, em meio a alguma recuperação da moeda norte-americana no exterior e com ruídos fiscais domésticos dando argumentos para uma pausa depois de baixas recentes.

O dia de forma geral foi de sentimento pró-risco mais fraco, com foco dos investidores ao aumento de casos de Covid-19 em importantes economias do mundo e riscos associados a novas restrições econômicas, apesar do início da vacinação no Reino Unido.

Já o Ibovespa voltou a passar boa parte do dia no azul, novamente ultrapassando o patamar dos 114 mil pontos durante o pregão, com destaque para a alta das ações da BRF após previsões otimistas para os próximos anos. No entanto, o ânimo arrefeceu no fim do dia e a alta ficou em 0,18%, a 113.793 pontos.

O que aconteceu com o dólar e a Bolsa? Analistas comentaram que o câmbio vinha de forte descompressão de risco e que um fluxo comprador voltou após a moeda caminhar para níveis em torno de R$ 5,05. Incertezas sobre os efeitos da desvalorização do dólar sobre a operação de transferência de R$ 325 bilhões do resultado cambial do Banco Central do primeiro semestre ao Tesouro Nacional também entraram na pauta.

Isso porque haveria uma cotação do dólar (um pouco abaixo de R$ 5, segundo algumas estimativas) que levaria o BC a ter prejuízo na conta de swaps cambiais, situação que forçaria o Tesouro a devolver recursos hoje destinados a garantir um colchão de liquidez em tempos de maior dificuldade de captação. O dólar cai 10,97% desde 3 de novembro, data da eleição norte-americana.

Na visão do chefe da mesa de renda variável da EWZ Capital, Bruno Guimarães, há um clima de correção na bolsa brasileira, após cinco semanas de valorização relevante do Ibovespa, que “voou” dos 104 mil, 105 mil para a faixa de 113 mil pontos.

“É intuitivo”, afirmou, citando o risco fiscal no país como mais um componente endossando alguma cautela. Ele ressaltou, contudo, que indicadores técnicos ainda mostram tendência de alta clara no gráfico e há papéis com espaço para subir mais.

Guimarães não descarta a bolsa sofrer uma “chacoalhada” no curto prazo em meio a movimento de realização de lucros, mas pondera que deve ser pequeno e que a sua percepção é de que o viés de alta continua para o final de 2020. “Nós esperamos que o Ibovespa feche perto da casa dos 120 mil pontos neste ano ainda”, afirmou.

Maiores altas:

BRF (+ 8,69%)
Eletrobras ON (+ 5,92%)
Eletrobras PNB (+ 4,99%)

Maiores baixas:

Usiminas (- 4,29%)
PetroRio (- 2,74%)
Embraer (- 2,03%)

(Com a Reuters)

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