O Ibovespa fechou nesta terça-feira (20) em queda de 0,72%, a 120.061,29 pontos, com movimento de realização de lucros endossado por Wall Street e Vale entre as maiores pressões de baixa, após vendas de minério de ferro no primeiro trimestre aquém das expectativas.

O dólar fechou em discreta queda de 0,09%, a R$ 5,5486.

O que aconteceu com a Bolsa? A sessão foi de cautela, diante do feriado no Brasil na quarta-feira (21), uma vez que a bolsa paulista estará fechada enquanto os mercados no exterior funcionarão.

Foi a segunda queda seguida do Ibovespa, após três semanas de valorização, sendo que na última subiu em todos os pregões, ultrapassando os 121 mil pontos. Na véspera, chegou a encostar em 122 mil pontos, nível que não supera desde janeiro.

Na visão do analista Rafael Ribeiro, da Clear Corretora, o Ibovespa acompanhou o dia de realização de lucros pelo mundo, tanto do lado das bolsas de valores, como das commodities, algo natural depois de recordes em alguns ativos.

No exterior, Wall Street fechou em queda pelo segundo dia consecutivo, após o S&P 500 e o Dow Jones renovarem máximas históricas, com um aumento global nos casos de coronavírus atingindo papéis relacionados a viagens.

Entre os destaques do pregão, Vale ON caiu 1,46%, diante da alta de 14,2% na produção de minério de ferro no primeiro trimestre, enquanto as vendas subiram quase 15%. A mineradora também registrou um prêmio de mais de US$ 8 por tonelada pelo produto. O analista Daniel Sasson, do Itaú BBA, disse que as vendas vieram um pouco abaixo do que estimava, mas que o prêmio veio um pouco melhor. A queda na ação vem após a ação renovar recorde intradia nos últimos pregões.

Carrefour Brasil ON subiu 3,29%, após alta de 14,2% nas vendas brutas consolidadas no primeiro trimestre. No geral, analistas do Bradesco BBI consideraram que este é mais um trimestre de crescimento sólido do Carrefour Brasil. O rival Pão de Açúcar – que ainda tem no radar potencial operação envolvendo a Cnova, no qual detém participação – avançou 8,92%, maior valorização do dia.

Na outra ponta, Lojas Renner ON recuou 4,05%, ainda em meio a ajustes após anunciar na véspera oferta primária de ações, que deve precificar em 29 de abril e pode movimentar até R$ 6,5 bilhões. Na sexta-feira, as ações dispararam em meio a especulações de uma oferta de ações, e a companhia confirmou durante o pregão que avaliava um follow-on. No setor, Hering ON subiu 1,43%, enquanto C&A Brasil ON, que não está no Ibovespa, desabou 10,11%.

O que aconteceu com o dólar? A moeda norte-americana fechou em ligeira baixa, com o dia pior nos mercados externos servindo de argumento para uma pausa depois de a divisa cair expressivamente por cinco sessões e fechar na véspera na mínima em um mês.

O dólar à vista registrou variação negativa de 0,09%, a R$ 5,5486 na venda, novo piso desde 23 de março (R$ 5,5168).

Ao longo do pregão no mercado à vista, a moeda oscilou entre R$ 5,5891 (+0,64%), logo depois da abertura, e R$ 5,5037 (-0,90%), no fim da manhã. Lá fora, o dólar subia e as bolsas de valores nos Estados Unidos caíram, por receios de aumento de casos globais de covid-19.

As cinco quedas anteriores do dólar no Brasil ocorreram na esteira de expectativas de algum desfecho menos heterodoxo para o Orçamento. Na noite de segunda-feira, o Congresso Nacional aprovou um projeto de lei que altera a LDO e traz ajustes, com o aval do governo, para permitir a controversa sanção do Orçamento deste ano.

O texto, que abre espaço para a exclusão do teto de gastos de despesas com programas para o enfrentamento à pandemia, seguirá para a sanção do presidente Jair Bolsonaro, o que permitirá também a sanção do Orçamento, que precisa ocorrer até quinta-feira.

Em coletiva virtual nesta tarde, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que o entendimento fechado pelo governo com o Congresso em torno do Orçamento deste ano atende ao duplo compromisso do governo com a saúde e a responsabilidade fiscal.

Para Joaquim Kokudai, gestor na JPP Capital, a solução do Orçamento foi “a possível” e, de alguma forma, eliminou os maiores temores do mercado sobre excessiva flexibilidade fiscal, o que ele vê como endosso a sua posição comprada em real nos fundos que gere. “Os juros estão sendo corrigidos, a atividade está retomando, as vacinas vão acelerar, e o Brasil gera dólares. Não há motivo em termos de fundamento macro para o real estar nesse patamar”, disse, prevendo dólar de R$ 5,25 no curto prazo e abaixo de R$ 5 até o fim do ano.

Maiores altas:

Pão de Açúcar (+8,92%)
Marfrig (+4,60%)
Cemig (+3,85%)

Maiores baixas:

Yduqs (-5,29%)
Lojas Renner (-4,05%)
Gol (-3,93%)

Com a Reuters

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