Em dia de perdas nos principais índices americanos, o Ibovespa conseguiu driblar o mau humor externo com o desempenho das empresas exportadoras de commodities e fechou o pregão desta terça-feira (dia 11) em alta de 0,87%, a 122.964 pontos.

Após subir pela manhã em dia de ata do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), o dólar encerrou o dia em queda de 0,17%, a R$ 5,2241.

O que aconteceu com a bolsa? A bolsa paulista começou o dia contaminada pelo viés negativo no exterior, onde prevaleceram receios com o risco de alta nas taxas de juros nos Estados Unidos por causa dos potenciais efeitos da reabertura econômica global e da alta de commodities sobre a inflação americana.

Os principais índices de Wall Street recuaram puxados por ações relacionadas a tecnologia, com investidores temendo que os preços em alta possam levar o Fed (banco central americano) a apertar a política monetária mais rapidamente que o esperado. Esse cenário contaminou o principal índice brasileiro, também derrubando ações ligadas à tecnologia, como empresas fortes em e-commerce, como Via e Magazine Luiza.

O receio, na visão do sócio da Monte Bravo Investimentos, Rodrigo Franchini, é de que os Estados Unidos possam retirar os estímulos à economia antes do que o esperado e o Federal Reserve também apertar um pouco mais cedo a sua política monetária.

Na segunda metade do dia, porém, o Ibovespa reverteu a fraqueza da primeira etapa do pregão e renovou máxima desde janeiro, puxado pela valorização da Vale (+3,51%), na esteira do avanço dos preços do minério de ferro na China, além de mineradoras, siderúrgicas e da Petrobras.

Na opinião do analista Rafael Ribeiro, da Clear Corretora, essa virada sobre o importante suporte cravado em 119 mil pontos foi patrocinada também pela força de compra à vista pelo setor de varejo, com a queda forte do miolo da curva de juros após o IPCA em linha com o esperado e o tom mais ameno da ata do Copom sobre o ritmo da inflação.

Segundo o documento, os membros do Copom acreditam que levar a taxa Selic, sem interrupção, até o nível considerado neutro levaria a inflação “consideravelmente” abaixo da meta, ou seja, reforçou a tese que irá subir a Selic rapidamente até o final do ano e ir amenizando o aumento ao longo de 2022 conforme o avanço da inflação, que, segundo a tese defendida pelo Copom, deve ter uma pressão temporária.

A maior alta do pregão foi a da Eletrobras (+6,54%), tendo no radar que o relator da MP que abre espaço para a privatização da elétrica apresentou nesta terça-feira a líderes partidários e ao presidente da Câmara dos Deputados o seu relatório preliminar, que, entre outros itens, alocar parte dos recursos gerados pela desestatização aos consumidores cativos de energia.

Na outra ponta, Totvs caiu 3,69%, em meio a movimentos de realização de lucros após alta de quase 8% em abril e com rotação de portfólios que tem penalizado papéis de tecnologia. Ainda assim, o papel da empresa de tecnologia e produtos de crédito acumula em maio elevação de mais de 2%.

O que aconteceu com o dólar? A moeda americana chegou a subir pela manhã com receio de alta de juros nos EUA, mas se recuperou por leituras de que mais inflação pode fazer o dólar perder valor no futuro.

Os olhos do mercado agora estão voltados para a leitura do índice de preços ao consumidor norte-americano referente a abril, que será divulgado nesta quarta (dia 12). a quarta-feira. Na avaliação de analistas, um número moderadamente mais alto não deve mexer com os planos do banco central dos Estados Unidos (Fed) de manter os juros perto de zero e seguir comprando títulos, o que tende a manter o dólar sob pressão.

A combinação entre ambiente doméstico menos ruidoso e uma nova pernada de alta para commodities no exterior turbinou o real nas últimas semanas e tem ajudado a comprimir a tão falada volatilidade da moeda brasileira.

As volatilidades implícitas de um, dois e três meses estão nas mínimas desde março do ano passado, mês de caos nos mercados por causa do início da pandemia. A volatilidade implícita entra na conta de medidas de retorno ajustado por risco. Sua queda, portanto, eleva a atratividade do real.

Entretanto, a volatilidade projetada para um ano está apenas no menor valor desde fevereiro deste ano, o que indica ainda algum desconforto em relação aos rumos da taxa de câmbio nos primeiros meses de 2022, quando haverá eleição presidencial.

Maiores altas:

Eletrobras ON (+6,54%)
Eneva (+4,85%)
Eletrobras PNB (+2,72%)

Maiores baixas:

Totvs (-3,69%)
Locamerica (-2,13%)
Ultrapar (-2,11%)

(Com a Reuters)

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