O Ibovespa fechou em alta nesta segunda-feira (2), com Itaú Unibanco entre os principais suportes antes do resultado trimestral. O índice de referência do mercado acionário brasileiro subiu 0,59%, a 122.515 pontos.

Já o dólar fechou em queda de 0,86%, a R$ 5,165.

O que aconteceu com a Bolsa? A alta de hoje veio após o Ibovespa fechar a sexta-feira em forte queda, selando o primeiro mês negativo em cinco, com preocupações com a inflação e a cena política.

Apesar da correção negativa do mês passado, estrategistas do BTG Pactual entraram em agosto com a avaliação de que as perspectivas econômicas gerais melhoraram, em razão de uma combinação de recuperação econômica mais rápida do que o previsto e situação fiscal melhor.

Além disso, acrescentaram, ritmo de vacinação melhorou, aumentando as chances de o país superar a pandemia nos próximos meses, apesar da propagação da variante Delta. Assim, continuam esperando que a recuperação econômica seja o fator dominante a impulsionar os mercados nos próximos meses, apesar de recente aumento na margem de receios fiscais.

Uma das razões que colaboraram para a queda da Bolsa na sexta foi a declaração do presidente Jair Bolsonaro de que irá dobrar o valor do Bolsa Família sem uma contrapartida de receita clara. No final de semana, notícias apontavam que essa fonte de renda sairia da negociação dos precatórios.

A ideia seria editar uma PEC para mudar o fluxo dos pagamentos motivados por sentenças judiciais ou buscar conciliações nos processos — o que deve ser mediado pelo presidente do STF, Luiz Fux.

A PEC poderia prever novas formas de parcelar as dívidas ou impor limites de pagamentos a cada ano e, com isso, abrir uma brecha no Orçamento de 2022, que, segundo Paulo Guedes, terá de R$ 25 bilhões a R$ 30 bilhões livres para permitir o pagamento médio de até R$ 300 ao Bolsa Família. A mudança pode abrir espaço para gastos adicionais de R$ 40 bilhões em 2022, ano eleitoral.

“No final das contas, caso aprovado, será feita uma manobra fiscal para financiar o programa e não uma reforma ou corte de gastos”, diz Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora.

Entre os destaques do pregão, Itaú Unibanco avançou 1,06% antes da divulgação do balanço de segundo trimestre, previsto para após o fechamento do mercado nesta segunda-feira.

B3 ganhou 2,95%, com relatório de analistas do Credit Suisse reiterando recomendação outperform para as ações, que têm sofrido recentemente com um mix de receio com competição e fluxo vendedor de estrangeiro. Na sexta-feira, as ações caíram 3,5%, para uma mínima desde 2 de junho de 2020.

Na outra ponta, BB Seguridade caiu 1,36%, após reportar lucro líquido ajustado de R$ 753,7 milhões no segundo trimestre, queda de 23,2% frente ao mesmo período de 2020, afetado pelo agravamento da crise sanitária e alta do IGP-M. A companhia também revisou projeções para o ano.

Fora do Ibovespa, Alpargatas disparou 16,46%, após resultado trimestral que mostrou lucro líquido recorrente de R$ 111,4 milhões, mais do que o triplo ano a ano, com expansão na receita líquida e nos volumes.

O que aconteceu com o dólar? O dólar fechou em queda nesta segunda-feira, voltando a ficar abaixo de R$ 5,20, com investidores devolvendo parte da forte alta da sessão anterior e expectativas de que o Banco Central seja mais agressivo na alta de juros nesta semana.

O dólar à vista caiu 0,86%, a R$ 5,165 na venda. O real revezou com a lira turca o posto de moeda com melhor desempenho nesta sessão. A moeda dos EUA operou todo o pregão em queda, indo de R$ 5,195 (-0,27%) a R$ 5,114 (-1,83%).

Na sexta, a cotação saltou 2,53%, maior alta em quase duas semanas, impulsionada por receios de ordem fiscal no Brasil.

Maiores altas:

Totvs (+4,55%)
Americanas (+4,42%)
Taesa (+4,08%)

Maiores baixas:

CVC (-2,02%)
Petrobras PN (-1,86%)
BB Seguridade (-1,73%)

Com a Reuters

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