(Atualizado às 18h51)

O dólar ampliou o seu movimento de alta em relação ao real nesta quarta-feira (dia 12), fechando em um novo recorde nominal. A cotação da moeda comercial subiu 0,55%, terminando o dia acima de R$ 4,35.

A moeda americana está em trajetória de alta desde o fim do ano passado, quando fechou negociada a R$ 4,01. A valorização acumulada no período é de 8,5%.

O que motivou a alta nesta quarta? Segundo analistas, não há uma resposta pronta. O dólar se valorizou em relação a algumas moedas, como o euro, mas fechou em queda em relação a divisas de alguns emergentes, como México e Colômbia.

No Brasil, o principal indicador divulgado foi o resultado do varejo em dezembro, que veio abaixo das expectativas de analistas. O dado reforçou o temor sobre a sustentabilidade da retomada da economia, mas, por outro lado, não impediu que o Ibovespa fechasse em alta de 1,13% e que ações de varejistas também subissem.

E o que está por trás da alta do dólar no ano? O quadro de persistentes incertezas sobre o crescimento da economia global mantém investidores cautelosos e evitando assumir muitos riscos em seus portfólios. Uma das consequências é o fortalecimento do dólar, visto que a moeda é considerada um refúgio natural de segurança.

No início do ano, uma pesquisa da Reuters com 62 estrategistas de câmbio deu o tom das expectativas para 2020: em sua maioria, eles projetaram que 16 de 20 moedas emergentes vão fechar o ano em queda versus o dólar.

O real vive um processo de desvalorização mais acentuada nos últimos dias, período que coincidiu com a volatilidade no mercado causada pela epidemia com o coronavírus — que acentua a aversão a risco por investidores.

Outro fator estrutural que explica a fraqueza do real é a taxa básica de juros, a Selic, em 4,25% ao ano, no menor patamar histórico já há alguns meses. A Selic é usada como referência para o pagamento de títulos públicos e outras aplicações. No momento em que a rentabilidade cai, investidores estrangeiros se sentem menos dispostos a trazer seus recursos em busca de retornos maiores, algo que acontecia quando os juros estavam acima de 14% ao ano.

(Com Reuters e Estadão Conteúdo)

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