O dólar disparou nesta quarta-feira (23), não apenas rompendo o patamar dos R$ 5,50 como passando a flertar com R$ 5,60 reais, num dia de fortalecimento generalizado do dólar em meio a temores sobre a economia global.

A Bolsa também sofreu com o movimento, perdendo o patamar dos 96 mil pontos, enfraquecido pelas perdas nos pregões norte-americanos, após dados corroborando perspectivas de uma recuperação difícil da maior economia do mundo.

O dia foi marcado por ampla aversão a risco no mundo, depois de dados nos EUA e na Europa denunciarem desaceleração expressiva no crescimento da atividade empresarial, que vem num momento em que o salto em casos de Covid-19 em algumas importantes economias e a percepção de escassez de opções de ajuda por parte de bancos centrais nublam o cenário para a economia global.

A cotação da moeda norte-americana à vista saltou 2,18%, a R$ 5,5876 na venda, quarta alta consecutiva e maior patamar de fechamento desde 26 de agosto (R$ 5,6124). Na máxima, a cotação bateu R$ 5,595, alta de 2,32%.

Índice de referência da bolsa brasileiro, o Ibovespa caiu 1,6%, a 95.734,82 pontos, menor fechamento desde 30 de junho. O volume financeiro somou R$ 25,1 bilhões.

Na contramão, Localiza disparou 14%, renovando máxima histórica, após anunciar fusão com a Unidas, cujos papéis saltaram mais de 17%.

O que explica a alta do dólar? O Banco Central não interveio no mercado com venda de dólares. A última vez que o BC atuou de maneira mais incisiva no câmbio foi na segunda quinzena de agosto, quando o dólar oscilava perto dos atuais patamares.

“O que tenho dificuldade de entender é a torcida do Banco Central para o câmbio se estabilizar ao invés de subir uma barreira em algum preço, uma vez que ele já está contaminando a inflação e isso pode tirar o carro dos trilhos”, comentou Luiz Fernando Alves, sócio do Fundo Versa.

“Uma performance melhor do real depende bastante da diminuição de saídas pelo segmento financeiro”, disse Sergio Goldenstein, consultor independente e estrategista na Omninvest Independent Insights e ex-chefe do Departamento de Operações de Mercado Aberto do Banco Central.

E a queda da Bolsa? O Goldman Sachs chamou a atenção para a incapacidade do Congresso de chegar a um acordo sobre novas medidas fiscais de estímulo e acrescentou que, na ausência delas, um novo ânimo na economia dos EUA dependerá de uma vacina contra o Covid-19.

Para a analista de ações Cristiane Fensterseifer, da casa de análise Spiti, a bolsa também refletiu temores com a aceleração de casos de coronavírus na Europa e as eleições nos EUA.

No Brasil, ela citou o déficit fiscal elevado, os problemas para andamento nas reformas, além de prévia da inflação mostrando alta acima do esperado em setembro.

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