O feriado na segunda-feira (12) encurtou a semana, mas os acontecimentos do mundo econômico e político não param. Com a proximidade das eleições nos Estados Unidos e com o governo brasileiro preparando a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) do pacto federativo, a agenda deve se concentrar nos efeitos desses acontecimentos para a agenda pública e para o mercado financeiro. A semana ainda terá a abertura de capital da varejista Grupo Mateus, e o monitoramento da situação da segunda onda de coronavírus na Europa e em partes dos Estados Unidos.

Veja abaixo mais detalhes sobre esses eventos:

PEC do pacto federativo ou abertura das porteiras?

O governo tem dito que pretende deixar a PEC do pacto federativo na geladeira até o fim das eleições municipais, mas o projeto deve continuar sendo alvo de debates nos bastidores de Brasília. A promessa da equipe econômica do governo de Jair Bolsonaro é endereçar o novo Renda Cidadã, programa de distribuição de renda substituto do Bolsa Família, nessa PEC.

As propostas para custear o projeto vão desde a inclusão de medidas de geração de receitas, como novos tributos, até o corte de despesas, como a desvinculação de despesas obrigatórias e fim de outros programas, como o abono salarial.

Entretanto, nos últimos dias, uma terceira hipótese levantada nos bastidores da equipe de Paulo Guedes deixou os analistas do mercado financeiro com o radar ligado. O rumor é que o relator do projeto, o senador Marcio Bittar (MDB-AC), incluirá no projeto uma cláusula que permita a prorrogação para 2021 do chamado Orçamento de Guerra, aprovado no início da pandemia para combater os efeitos adversos da covid-19.

A justificativa oficial para a inclusão da cláusula seria a liberação mais ágil de recursos caso o Brasil enfrente uma segunda onda de coronavírus. Nessa hipótese, o dinheiro para combate à crise sanitária poderia ser distribuído sem que um novo orçamento tivesse que passar pelo Congresso. A intenção é boa, mas, na prática, esse mecanismo pode virar uma forma de financiar o Renda Cidadã em 2021, driblando o teto de gastos.

“Faz sentido facilitar a criação de um orçamento paralelo, caso haja uma nova emergência sanitária, mas não para financiar despesas recorrentes, como as do Renda Cidadã. Seria um desastre”, diz Conrado Magalhães, analista político da corretora Guide Investimentos.

A abertura da porteira fiscal será observada de perto pelos investidores, e pode gerar novos solavancos no mercado, com a abertura da curva de juros futura e com impacto nos investimentos atrelados à taxa básica de juros, a Selic, assim como já vem acontecendo. O vai-e-vem fiscal do governo fez com que o Tesouro Selic tivesse o primeiro desempenho negativo em 18 anos, por exemplo.

É o fim do período de liquidez?

Como se as eleições não fossem suficientes para aumentar a incerteza nos EUA, crescem as dúvidas sobre a aprovação de novos recursos do governo para sustentar a renda das famílias atingidas pela pandemia. Um acordo sobre um novo pacote de estímulo parecia próximo, mas a semana política nos Estados Unidos começou com um banho de água fria em um possível acordo entre democratas e republicanos.

O líder da maioria na Câmara, que é controlada pelos democratas, disse ontem que, em razão da administração Trump não apresentar uma proposta consensual sobre o pacote de combate ao Covid-19, a casa não pretende votar projetos durante essa semana. É esperado que as conversas entre Nancy Pelosi, presidente da Câmara, e Steve Mnuchin, secretário do Tesouro de Trump, continuem nos próximos dias, em uma tentativa para aproximar as propostas dos dois partidos sobre mais estímulos econômicos de um acordo concreto. No entanto, fica cada vez mais difícil imaginar que alguma decisão seja tomada antes da eleição presidencial, que acontece em 3 de novembro.

O movimento de recuperação das bolsas de valores visto nos últimos meses estava sendo alimentado pela liquidez despejada pelo governo dos Estados Unidos em um primeiro pacote de estímulo. Se a fonte secar, os índices acionários devem continuar sofrendo.

Nova onda de covid-19 na Europa e nos EUA

Uma nova escalada de casos de coronavírus, que era apenas prevista em teoria, parece estar tomando contornos reais. Na Europa, comércios não-essenciais em regiões da França, Espanha e Reino Unido voltaram a ser fechados, embora os governos estejam reticentes em declarar quarentenas mais restritivas, assim como aconteceu no início do ano.

Na segunda (12), o primeiro-ministro britânico Boris Johnson, impôs, um sistema escalonado de restrições em partes da Inglaterra, incluindo o fechamento de alguns pubs, em razão da alta de casos no Reino Unido.

Alguns estados dos Estados Unidos passam pela mesma situação. Na semana passada, o governador de Nova York determinou o fechamento de escolas, restaurantes e academias em regiões da cidade em que o número de novos casos tem se multiplicado.

Essa situação tem sido acompanhada de perto por investidores, diante do risco de um novo impacto econômico causado pelos fechamentos temporários. A expectativa, no entanto, é que a segunda onda de casos não seja tão devastadora quanto a primeira.

Bônus: IPO do Grupo Mateus

A varejista do setor de supermercados, que tem forte presença no Norte e Nordeste, concluirá seu processo de abertura de capital amanhã (13). Afetado por um incidente de desmoronamento de prateleiras em uma de suas lojas de atacado, no Maranhão, que vitimou uma pessoa e deixou 8 feridos, o Grupo Mateus precisou mudar seu prospecto da oferta de ações.

Além disso, a empresa abriu prazo para que os investidores que já tinham reservado ações antes do incidente desistissem da oferta. Apesar de o episódio não ter causado o cancelamento do IPO, é possível que ele tenha afetado o preço das ações, que saíram cotadas a R$ 8,97, no piso do intervalo estipulado pela companhia.

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