São muitos os fatores que influenciam diariamente o mercado de ações e, por tabela, os investimentos de milhares de brasileiros. Além das questões relacionadas ao desempenho e das próprias empresas e da economia brasileira, há um importante componente sempre presente no radar das bolsas de valores: o mercado global.

No ano passado, a bolsa de valores foi muitas vezes impactada, mesmo em momentos em que estava tudo bem, pela guerra comercial entre China e Estados Unidos. Neste ano, a bola da vez é o coronavírus, crise de saúde pública que vem preocupando governos e investidores pelo mundo.

Cada crise afeta o mercado de um jeito e mais alguns setores do que outros. No entanto, isso não significa que não dá para montar uma carteira mais protegida desses sobressaltos, diluindo um pouco os riscos sempre presentes da renda variável.

Além de diversificar e não colocar todos os ovos na mesma cesta, prática a ser adotada sempre, especialistas ouvidos pelo 6 Minutos dão dicas importantes para ajudar investidores a entender como cada empresa é afetada pelo mercado externo, permitindo que isso seja levado em conta na hora de formar a carteira de investimentos.

Como escolher ações para se proteger de crises globais? Investir diretamente em ações demanda um esforço pessoal do investidor ou de um consultor financeiro para fazer as melhores escolhas. Para quem tem o objetivo ter uma carteira protegida, o importante é saber de onde vêm os insumos necessários e como ela ganha dinheiro.

Por exemplo, a Vale, a Petrobras e os grandes frigoríficos são empresas que têm alta dependência de exportações para fazer caixa. Redução da demanda ou dos preços das commodities as afetam diretamente. Em relação aos insumos, outro exemplo é o setor aéreo. As companhias dependem de querosene de aviação, combustível cotado em dólar, e são afetadas também pela demanda de turismo.

Henrique Esteter, analista da Guide Investimentos, recomenda que o investidor interessado em se proteger das oscilações busque os setores elétrico e de saneamento. O motivo é que são dois setores com demanda constante, ou seja, que têm sua receita atrelada a gastos permanentes dos brasileiros.

Os números comprovam a dica: as grandes empresas dos setores fecharam o mês passado ou em alta, casos de Engie (+2,05%), Eletrobras (+3,48% nos papeis ordinários e 5,57% nos preferenciais) e Sabesp (+0,74%) ou de baixa inferior ao Ibovespa, como a Taesa (-0,60%).

Ilan Arbetman, da Ativa Investimentos, cita ainda outros setores que considera menos sensíveis, por serem mais associados ao consumo e economia brasileiros. Na lista do analista estão os segmentos de shoppings, que têm dívidas majoritariamente em reais, locação de carros, varejo e construção civil.

Vale ponderar também que cada crise tem seus fatores particulares e pode pedir ajustes pontuais. Em geral, papeis de operadoras de plano de saúde e odontológico também seriam recomendáveis, pelo mesmo caráter de necessidade recorrente. No entanto, no contexto atual a possibilidade de casos do coronavírus no Brasil, com potencial de custos altos aos planos, faz com que o setor não seja o ideal para este objetivo.

O desafio de montar a carteira. Vale lembrar que em casos de crises mais prolongadas, como a possibilidade de um impacto mais profundo do coronavírus sobre a economia global, a demanda local também acaba sendo prejudicada no longo prazo.

Importante ponderar que uma boa carteira é composta por ações diversas que, no todo, alcancem um bom resultado. Por isso, é importante procurar diversificar, mesclando ações de setores mais consolidados com outras mais arrojadas, em proporções que respeitem a tolerância de risco de cada investidor.

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