O Ibovespa fechou em queda nesta sexta-feira (23), com Vale e Magazine Luiza entre as maiores pressões de baixa, em movimento descolado de bolsas no exterior e determinante para a performance negativa na semana.

A prévia da inflação oficial brasileira – IPCA-15 – foi mais um componente negativo ao registrar a maior alta para o mês desde 2004, acima do esperado e afetando a curva futura de juros.

O índice de referência do mercado acionário brasileiro caiu 0,87%, a 125.052 pontos.

Já o dólar fechou com variação negativa de 0,02%, a R$ 5,210.

O que aconteceu com a Bolsa? Enquanto Wall Street viu o S&P 500 subir 0,39%, com ações de tecnologia e repercussão positiva aos resultados de Twitter e Snap, além de bons dados de atividade da economia norte-americana, o Ibovespa se descolou do mercado norte-americano, devolveu os ganhos recentes e voltou a desafiar o suporte de 125 mil pontos.

Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora, explica que, diante de um IPCA-15 que acumula alta de 8,59% nos últimos 12 meses, o Bacen deve apertar o ritmo de alta da Selic, inclinando a curva de juros.

“Com a curva de juros em alta, o interesse pela renda variável perde força, como mostra o volume muito abaixo da média nos últimos dias, que comprova esse menor apetite pela compra”, afirma.

Hypera Farma, que encabeçou as altas do pregão (+3,51%), abre hoje o calendário de balanços do segundo trimestre, que ganha fôlego nas próximas semanas. Analistas do Credit Suisse esperaram continuação das vendas de produtos da empresa pelas farmácias para consumidores acima do mercado de varejo e otimizações nas despesas comerciais.

“Preços de commodities favoráveis, uma base de comparação fraca em relação ao ano anterior e uma reabertura da economia devem levar a resultados operacionais sólidos para a maioria das empresas”, espera a equipe do Santander Brasil.

Em termos consolidados, eles estimam alta de 180% no lucro líquido, de 91% no Ebitda e de 52% na receita líquida, afirma o relatório assinado pelo estrategista Ricardo Peretti.

Entre os destaques negativos, Braskem liderou as perdas (-5,56%), tendo de pano de fundo dados de venda e produção no segundo trimestre. Na véspera, a petroquímica disse que as vendas de resinas no Brasil caíram 17% ante primeiro trimestre deste ano, enquanto as dos principais produtos químicos recuaram 10%.

Magazine Luiza caiu 2,80%, após precificar na quinta-feira oferta primária de ações a R$ 22,75 cada, representando aumento efetivo de capital de cerca de US$ 4 bilhões.

Após três altas consecutivas, Vale recuou 0,51%, afetada por novo declínio do minério de ferro negociado em Dalian, na China, que acumulou nesta sexta-feira a maior queda semanal em 17 meses. Em contraste, Usiminas, também no setor de mineração e siderurgia, avançou 1,56%.

O que aconteceu com o dólar? Um firme movimento de compra tirou o dólar da queda de 1% de mais cedo, levando a moeda a fechar esta sexta-feira em torno da estabilidade, ao fim de uma semana em que acumulou alta.

O dólar à vista teve variação negativa de 0,02% nesta sexta, a R$ 5,210 na venda. Pela manhã, a cotação tocou R$ 5,159, mas na parte da tarde ganhou tração e chegou a mostrar alta de 0,44%, a R$ 5,234.

Na semana, a divisa ganhou 1,82%, elevando os ganhos de julho para 4,70%. Em 2021, o dólar sobe 0,36%.

Maiores altas:

Hypera (+3,51%)
Usiminas (+1,41%)
Localiza (+1,06%)

Maiores baixas:

Braskem (-5,56%)
Pão de Açúcar (-3,56%)
MRV (-2,85%)

Com a Reuters

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