O dólar registrou nesta quinta-feira (3) mais uma forte queda ante o real, renovando mínimas em mais de quatro meses em meio a um movimento generalizado de vendas da divisa norte-americana, ditado pela confiança na retomada da economia global em um ambiente de farta liquidez. O dólar à vista caiu 1,94%, a R$ 5,14 na venda, menor patamar para um fechamento desde 22 de julho passado (R$ 5,11).

O Ibovespa renovou máximas desde fevereiro hoje, ultrapassando os 113 mil pontos no melhor momento, ainda embalado pelo noticiário auspicioso sobre vacinas para Covid-19, com papéis como Embraer e Gol capitaneando as altas. O enfraquecimento em Wall Street, contudo, contaminou o pregão brasileiro no final da sessão, que encerrou em alta de 0,37%, a 112.291 pontos.

O que aconteceu com o dólar e a Bolsa? O movimento local ocorreu na esteira de mais um dia de queda ampla do dólar no mundo. A moeda norte-americana caía frente a 30 de seus 33 principais pares, exibindo maior fraqueza ante divisas que se beneficiam de demanda por risco.

O índice do dólar contra uma cesta de rivais cedia 0,36% no fim da tarde, renovando mínimas em mais de dois anos e meio. O real liderou os ganhos entre as principais divisas, seguido por peso colombiano (+1,5%), rublo russo (+1,1%) e lira turca (+1%).

“A ‘muralha de dinheiro’ para os mercados emergentes é a maior de todos os tempos e supera os influxos após a crise financeira global em 2010. A China é uma grande diferença, pois agora está atraindo fluxos maciços, ao contrário de 2010, mas fora da China os emergentes também estão vendo uma incrível ‘muralha de dinheiro'”, disse no Twitter Robin Brooks, economista-chefe do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês).

Para o analista de pesquisa e estratégia para mercados emergentes do Julius Baer, Mathieu Racheter, ações brasileiras devem se beneficiar do ambiente externo favorável, além da continuidade da rotação nos portfólios para papéis de ‘valor’.

Ele ponderou, contudo, que há desafios, entre eles o quadro fiscal do país, e que não está claro se o governo será capaz de avançar em seu programa de reformas econômicas estruturais, que ajudou a bolsa desde a eleição de Jair Bolsonaro em 2018.

Maiores altas:

Embraer (+ 11,05%)
Gol (+ 8,71%)
CVC (+ 7,55%)

Maiores baixas:

Usiminas (- 4,78%)
Suzano (- 4,71%)
Gerdau (- 4,19%)

(Com a Reuters)

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