O Ibovespa fechou em alta nesta segunda-feira (6), em meio a ajustes após cair mais de 3% na semana passada, mas o volume negociado foi reduzido sem a referência de Wall St e certa cautela antes do feriado brasileiro na terça-feira.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,80%, a 117.868 pontos.

Já o dólar teve uma leve queda no início desta semana, de -0,15%, a R$ 5,177.

O que aconteceu com a Bolsa? Investidores preferiram não assumir muitos riscos antes de manifestações previstas para o 7 de Setembro no Brasil, dado o risco de reflexos na já tensa cena político-institucional do país, principalmente entre Executivo e Judiciário.

O presidente Jair Bolsonaro tem apostado suas fichas nos atos para mostrar força e apoio da população no momento em que tem perdido popularidade e o país sofre com a crise hídrica, com riscos à inflação já alta e à retomada econômica.

A alta no Ibovespa vem após acumular uma queda de 3,1% na semana passada, em meio a um ambiente ainda conturbado no Brasil. E encontrou suporte no fechamento positivo de bolsas na Europa e Ásia.

Em Nova York, os pregões ficaram fechados nesta em razão do Dia do Trabalho nos Estados Unidos.

“Mesmo com o sentimento de cautela com as tensões políticas neste pré-feriado, e a iminência de um dia de protestos que pode trazer mais instabilidade ao país, o Ibovespa engatou movimento de alta”, afirmou a analista da Rico Investimentos Paula Zogbi.

Ela ponderou, tudo, que os ganhos desta sessão não podem ser vistos como um diagnóstico positivo para o mercado, principalmente dado o baixo volume de negócios.

A semana também começou com sete novas ações na carteira do Ibovespa, que agora tem 91 ativos de 84 empresas.

O que aconteceu com o dólar? Levando em consideração o clima político tenso no Brasil, que tenderia a elevar a busca pela segurança do dólar, o movimento desta segunda-feira foi “atípico”, disse à Reuters Fernando Bergallo, diretor de operações da FB Capital.

Isso por causa da liquidez “absolutamente reduzida” como consequência de feriado nos Estados Unidos, explicou Bergallo, lembrando também que na terça-feira os mercados brasileiros ficam fechados devido ao Dia da Independência.

“Sem a praça de Nova York hoje e sem a praça de São Paulo amanhã, é normal ver movimento atípico, apesar da cautela dos investidores sobre o que pode acontecer (nas manifestações de) terça-feira.”

O presidente Jair Bolsonaro tem apostado suas fichas em atos convocados para o 7 de Setembro, como uma demonstração de força e apoio popular, num momento em que tensiona cada vez a relação com o Poder Judiciário, especialmente os ministros Alexandre de Mores e Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), alvos de ataques constantes do presidente.

Bolsonaro participará pela manhã desta terça-feira de manifestação em Brasília, onde discursará e poderá ter a seu lado alguns de seus ministros, e promete vir a São Paulo à tarde, para participar pessoalmente de ato marcado na Avenida Paulista.

Vários participantes do mercado têm expressado receios sobre o que o dia 7 de setembro poderá representar para o clima político doméstico, em momento que ainda conta com sinais de arrefecimento do crescimento econômico e fragilidade das contas públicas locais.

“Esta será mais uma semana em que a pauta econômica deve ficar em segundo plano, na espera de novas negociações políticas”, escreveram analistas da Levante Investimentos em nota. “As manifestações, nesse sentido, não auxiliam a ala econômica, na medida em que devem colocar ainda mais ruído entre os Poderes no curto prazo.”

Para Bergallo, da FB Capital, a semana “só começa de fato” na quarta-feira, quando o mercado começar a digerir os acontecimentos de terça. Além disso, os investidores devem seguir de olho no desempenho mundial do dólar, que foi prejudicado recentemente por dados de emprego piores do que o esperado nos Estados Unidos.

Falando sobre as perspectivas para a moeda daqui para frente, ele acrescentou que acha “difícil o dólar se manter sustentado com a taxa Selic disparando”, dizendo ainda que acredita que IPOs na bolsa paulista podem atrair recursos para o Brasil e fornecer suporte ao real.

Maiores altas:

CBD (+6,75%)
Minerva (+6,68%)
Americanas (+5,42%)

Maiores baixas:

Dexco (-2,96%)
CSN (-1,90%)
Vale (-1,57%)

Com a Reuters

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