Atualizada às 18h35

O Ibovespa, índice de referência da bolsa de valores brasileira, registrou uma queda expressiva nesta quarta-feira de cinzas (26). O índice caiu 7,00%, aos 105.718 pontos, a maior queda desde o “Joesley Day”, dia de maio de 2017 em que vieram a público as conversas entre o então presidente Michel Temer e o empresário Joesley Batista.

Desde o fim de semana, a escalada no número de casos de pessoas contaminadas com o coronavírus na Europa e em outros países tem levado a uma onda de venda de ativos nos mercados internacionais. O Brasil não havia ainda sentido o impacto por causa do feriado de Carnaval, uma vez que não houve pregão na segunda (24) e na terça (25) e, hoje, a bolsa ficou fechada pela manhã.

Investidores se desfazem de ações por causa de novas avaliações sobre o impacto negativo da doença sobre o crescimento da economia global, algo que deve derrubar os lucros de companhias listadas nas bolsas.

No caso do dólar e do ouro, que se valorizam em todo o mundo, a principal explicação é a busca de investidores por ativos considerados mais seguros em momentos de elevadas incertezas, como o atual.

O dólar fechou em alta de 1,15%, para R$ 4,44, novo recorde nominal. A valorização da moeda americana aconteceu mesmo depois do anúncio do Banco Central, no fim da manhã, de um leilão extraordinário de venda de US$ 1,5 bilhão em contratos para proteger investidores da variação do câmbio (conhecidos como contratos de swap cambial).

Todas as ações do Ibovespa estão no vermelho. Dia de perdas generalizadas na bolsa. Todas as 73 ações do índice fecharam em baixa. Entre as piores quedas estão a Gol (-14,31%), a Azul (-13,30%), a CSN (-10,89%) e a Petrobras (-10,05% nas ações preferenciais e -9,95% nas ordinárias).

De maneira geral, essa fotografia das negociações indica que os setores de turismo e de commodities são os mais afetados — o primeiro por causa da cotação do dólar e restrições de viagem, e o segundo por causa de uma provável demanda menor da China.

O receio do mercado é que a disseminação do vírus leve as autoridades a bloquear acessos a determinadas regiões chinesas, reduzindo a operação da indústria e do comércio, o que levaria a um crescimento econômico menor. O Ministério de Saúde confirmou nesta quarta-feira (26) a primeira ocorrência do coronavírus no Brasil.

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