No dia em que o Banco Central divulgou uma ata do Copom (Comitê de Política Monetária) que elevou a chance de um corte maior na taxa de juros na próxima reunião, o dólar encerrou o pregão em queda de 1,13%, a R$ 4,96, a primeira vez que a moeda americana fecha abaixo de R$ 5 em um ano.

Na outra ponta, a Bolsa sofreu com essa possibilidade, fechando esta terça-feira (dia 22) em queda de 0,38%, a 128.767 pontos.

O que aconteceu com o dólar? A ata da última reunião do Copom forneceu suporte ao real. De acordo com o documento, o Comitê avaliou a possibilidade de acelerar a alta dos juros em sua reunião da semana passada em meio a uma inflação persistente, mas acabou concluindo que seria mais adequado manter o ritmo de aperto de 0,75 ponto percentual.

Ainda assim, indicou um possível aperto maior em seu encontro seguinte, em agosto. Thomás Gibertoni explicou que a percepção de um BC mais “hawkish”, ou duro com a inflação, tem favorecido a moeda brasileira recentemente, devido à expectativa de juros mais altos.

Segundo especialistas, isso se deve principalmente à entrada de recursos no Brasil para a realização de estratégias de “carry trade”, que consistem na tomada de empréstimos em moeda de país de juro baixo e compra de contratos futuros de uma divisa de juro maior, como o real. O investidor, assim, ganha com a diferença de taxas.

Com uma Selic mais alta à frente, o cenário doméstico está inclinado para uma desvalorização do dólar em relação ao real, afirmou Gibertoni.

O que aconteceu com a Bolsa? O sinal negativo prevaleceu na Bolsa nesta terça-feira, após a ata da última reunião do Copom mostrar que o Banco Central avaliou a possibilidade de acelerar a alta dos juros na semana passada em meio a uma inflação persistente no país.

“A ata não apenas reforça a preocupação quanto à inflação do comunicado como também aumenta o tom contra o cenário inflacionário”, avaliou o estrategista-chefe do banco digital modalmais, Felipe Sichel. “Apesar de indicarem uma nova alta de 0,75 ponto percentual para agosto, a chance de um aumento em 1 ponto ganhou ainda mais força”, afirmou em comentário a clientes.

Maiores altas:

Pão de Açúcar (+2,82%)
Totvs (+2,50%)
CVC (+2,30%)

Maiores baixas:

TIM (-3,90%)
Cielo (-3,35%)
CCR (-3,08%)

(Com a Reuters)

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