O que pode ameaçar a onda de otimismo e de ganhos nos mercados globais, agora que a guerra comercial entre Estados Unidos e China ficou em segundo plano? Para a entidade conhecida como “banco central dos bancos centrais”, a mudança climática ameaça provocar eventos de “cisne verde” que podem desencadear uma crise financeira sistêmica, a menos que as autoridades ajam contra esses riscos.

O que é o “banco central dos bancos centrais”? É o Banco de Compensações Internacionais, conhecido pela sigla BIS (em inglês). Com sede em Basileia, na Suíça, ele reúne bancos centrais para discussão de temas de interesse das autoridades monetárias. O BIS divulgou nesta segunda-feira (dia 20) um estudo em que adverte para os efeitos das mudanças climáticas sobre os mercados.

O que seriam esses “cisnes verdes”? O BIS adaptou o conceito de “cisne negro” criado por Nassim Nicholas Taleb para descrever eventos adversos fora do escopo de expectativas regulares com impactos amplos ou extremos.

“Cisnes verdes ou cisnes negros climáticos apresentam muitas características dos cisnes negros típicos”, disseram os autores de um estudo do BIS, entre eles o vice-gerente-geral da instituição, Luiz Awazu Pereira.

Os cisnes verdes são diferentes dos cisnes negros porque há alguma certeza de que um dia os riscos das mudanças climáticas se materializarão, o que poderia colocar a humanidade em risco mais do que crises financeiras. Os cisnes verdes ameaçariam reações em cadeia ainda mais complexas e imprevisíveis, escreveram os autores.

Quais as recomendações do estudo? O BIS aconselha bancos centrais a participar mais ativamente de ações para mitigar efeitos decorrentes do aquecimento global e de outras mudanças climáticas. Além disso, que se esforcem para construir modelos de análise que incorporem os variáveis do clima.

Qual o contexto? O documento do BIS, publicado justamente após a década mais quente do mundo, reforça diagnósticos recorrentes de autoridades econômicas e executivos de que mudanças climáticas vão interferir cada vez mais na economia e nos mercados.

Na última semana, o Relatório de Riscos Globais do Fórum Econômico Mundial apontou que os cinco maiores riscos à economia global nos próximos dez anos são de natureza ambiental, algo inédito. O relatório é preparado a partir de entrevistas com 750 especialistas em gestão de riscos e tomadores de decisão.

(Com a Bloomberg)

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