Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 3,21%, a 115.067 pontos, com a Bolsa acumulando queda de 1,96% na semana e declínio de 3,3% em janeiro, segundo dados preliminares. Foi a maior queda diária desde o recuo de 4,25% em 28 de outubro.

Já o dólar fechou em alta, puxado pela combinação de ambiente externo avesso a risco e ajustes na comunicação do Banco Central. Com o mercado na defensiva às vésperas das eleições para o comando das casas legislativas, a moeda norte-americana subiu 0,71%, cotada a R$ 5,47.

Em janeiro, a moeda saltou 5,53%, maior alta mensal desde março de 2020 (+15,92%), no estouro da pandemia de Covid-19. A valorização ocorreu após dois meses seguidos de perdas: de 2,90% em dezembro e 6,82% em novembro.

O que aconteceu com a Bolsa? O Ibovespa fechou em queda de mais de 3% nesta sexta-feira, o tendo um desempenho negativo no acumulado do mês, marcado por recordes, mas também aumento das preocupações com ruídos políticos e riscos fiscais no país, além do avanço alarmante da pandemia de Covid-19 no mundo, apesar das vacinas.

O último pregão do mês teve como pano de fundo fortes perdas em Wall Street, na esteira de dados menos animadores sobre a eficácia da vacina contra a Covid-19 da Johnson & Johnson, além de desconforto com a disputa entre ‘hedge funds’ e investidores de varejo, que adicionou ainda mais volatilidade aos negócios.

Da cena brasileira, a possibilidade de uma greve de caminhoneiros a partir de segunda-feira, embora a categoria continue dividida sobre a paralisação, trouxe de volta memórias do efeito nocivo do movimento de maio de 2018 na economia, reforçando a cautela antes do fim de semana.

A sexta-feira também teve alerta da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre o risco de manipulação de mercado, um dia após os papéis do IRB Brasil RE dispararem com investidores mostrando intenção de replicar estratégias do caso da GameStop nos Estados Unidos.

Após o alerta generalizado da CVM e também atuação da B3 envolvendo as ações da resseguradora, IRB Brasil teve queda de 6,13% no final do pregão, entre as maiores perdas do Ibovespa na sessão.

O que aconteceu com o dólar? No exterior, moedas como peso mexicano e dólar australiano –consideradas termômetros do apetite geral por risco– depreciavam, enquanto Wall Street sofria uma nova onda de vendas após incertezas sobre eficácia de vacina da J&J e receios sobre novas operações especulativas com ações.

O real até teve performance melhor que seus pares regionais na semana, mas no cômputo de janeiro a divisa mostrou o pior desempenho global –atrás até mesmo do nocauteado peso argentino.

A fraqueza da divisa brasileira está associada, entre outros motivos, aos juros baixos, que deixam a moeda mais vulnerável a apostas de venda, num contexto de ampla incerteza sobre os rumos da política fiscal.

O mercado considerou que declarações feitas na quinta pelo diretor de Política Econômica do Banco Central, Fabio Kanczuk, e pelo presidente do BC, Roberto Campos Neto, esfriaram apostas em alta breve dos juros, o que acabou golpeando o real já na quinta e também nesta sexta. O dólar despencou 2,7% na terça-feira, quando a ata do Copom indicou um BC mais disposto a elevar a Selic.

Maiores altas:

Braskem (+ 1,64%)
Marfrig (+ 0,08%)

Maiores baixas:

CSN (- 8,27%)
IRB (- 6,13%)
Ecorodovias (- 6,04%)

(Com a Reuters e Estadão Conteúdo)

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