A semana que se encerrou nesta sexta-feira (16) foi a pior para o índice Ibovespa nos últimos três meses – mais precisamente, desde 12 de maio. No acumulado dos cinco pregões, a bolsa fechou em baixa de 4,03%. Nos últimos dias, o mercado brasileiro sentiu a confluência de fatores caóticos na política internacional, que afetaram diretamente a confiança dos investidores.

Mas o que aconteceu?

  • Na Argentina, o oposicionista Alberto Fernández surpreendeu e largou com ampla vantagem na disputa presidencial do país. Visto como uma espécie de candidato antimercado, Fernández tem a ex-presidente Cristina Kirchner como sua candidata a vice. A se confirmar, a vitória do oposicionista pode ameaçar o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. No Brasil, Jair Bolsonaro cansou de dizer que, se o aliado de Cristina bater o atual presidente Mauricio Macri, as relações entre os países devem mudar.
  • Na Alemanha, quarta maior economia do mundo, o resultado do PIB, que encolheu no segundo trimestre, indicou um risco crescente de uma recessão global. As bolsas europeias recuperaram parte do prejuízo na sexta-feira, com rumores de que o governo da primeira-ministra Angela Merkel vai abrir o bolso para adotar medidas de estímulo à atividade econômica, mas não foi o suficiente.
  • A ameaça de recessão também está fortemente presente na China: A produção industrial chinesa desacelerou para o menor nível nos últimos 17 anos. Como se não bastasse, o país asiático ainda enfrenta protestos em sua colônia Hong Kong e vê seguir sem solução a novela da guerra comercial com os Estados Unidos de Donald Trump.

Semana ruim na bolsa reflete preocupação de investidores com risco de recessão global. Crédito: Shutterstock

E como tudo isso nos afeta? Como um país em desenvolvimento, o Brasil é um país visto como celeiro de investimentos de mais alto risco. Em momentos de tensão global, a tendência dos investidores é buscarem ativos com o menor risco possível, para se proteger de eventuais perdas e desvalorizações cambiais.

Não por coincidência, por sinal, o ouro fechou com a sua cotação mais alta desde 2013.

E o dólar? A moeda americana teve uma semana de alta e encerrou a sexta-feira acima dos R$ 4,00. O medo de uma alta forte da cotação do dólar fez o BC (Banco Central) entrar em jogo e anunciar o primeiro leilão de moeda realizado desde 2009, quando o mundo vivia os reflexos da crise econômica iniciada a partir dos Estados Unidos.

O cenário é de que esse panorama não se altere, ao menos no curto prazo. O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta sexta que o Brasil já se prepara para um cenário em que a cotação do dólar beire os R$ 4,20. O lado bom, avalia Guedes, é a possibilidade de que o encarecimento da moeda americana seja um estímulo à produção das indústrias brasileiras, em mais condições de competir com as americanas.

Empresas. Ao longo da semana, resultados considerados ruins de balanços impactaram em especial as ações da Via Varejo, da Kroton e da Ultrapar. Fora do Ibovespa, a situação da Oi preocupa. A empresa pode ter uma pane financeira já no começo do próximo ano. A possibilidade de a Anatel ter que caducar a concessão de telefonia fixa da operadora ou até intervir na companhia cresceu. As ações, é claro, despencaram.

Quem pode comemorar, por outro lado, foi o Magazine Luiza, com alta considerável em lucros e vendas sobretudo por canais digitais, e a JBS. O frigorífico se valorizou com seu próprio resultado e dos eventos extraordinários que podem aumentar suas vendas: a peste suína africana e o incêndio de uma fábrica concorrente nos Estados Unidos.

 

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