Apesar de não ter fechado na máxima histórica de 120 mil pontos, patamar que chegou a ser alcançado durante o pregão desta quarta (dia 30), o Ibovespa encerrou 2020 com uma alta de 2,9%, a 119.017 pontos, encerrando um ano marcado pela volatilidade trazida pela crise do coronavírus. No dia, a bolsa fechou em leve queda, de 0,3%.

Quando a pandemia estourou, o principal índice da B3 chegou a se aproximar dos 60 mil pontos, e encarou seis circuit breakers em somente oito pregões –o nome em inglês define quando as negociações são paralisadas temporariamente por queda acima de 10%.

Mas entre o final de julho e o início de agosto, a bolsa já tinha recuperado os 100 mil pontos, impulsionada por um investidor nada óbvio: o pessoa física, que inverteu a lógica de que o pequeno compra na alta e vende na baixa.

“Foi uma recuperação muito rápida, apesar da nossa situação fiscal complicada”, analisa Rodrigo Knudsen, gestor da Vitreo. “O movimento da pessoa física levando o Ibovespa de volta a um patamar mais alto é algo inédito no Brasil. Isso aconteceu porque, pela primeira vez na história, os juros estavam baixos durante uma crise. Isso ajudou as pessoas a verem que a bolsa estava barata”.

A segunda pernada da recuperação do índice aconteceu com a volta dos estrangeiros, a partir de novembro. Após os meses mais duros da pandemia, houve uma espécie de virada de chave no apetite internacional por ativos mais arriscados, pelo fato de nossos ativos estarem “baratos” na visão de muitos investidores.

A mudança começou com a definição das eleições americanas (a vitória do democrata Joe Biden) e ganhou corpo com os sucessivos anúncios da elevada eficácia das principais vacinas contra a infecção. Em outras palavras, a retomada da vida normal deixou de ser uma dúvida: a questão passou a ser não mais “se houver vacina”, mas “quando as vacinas serão aplicadas”.

“Quando o mundo viu que a pandemia vai acabar, que vai ter vacina, em um cenário de liquidez mundial, de bancos centrais injetando dinheiro nas economias, começaram a procurar emergentes. E quem estava barato? O Brasil”, lembra Knudsen.

Continuidade em 2021?

Tudo indica que esse movimento deve se manter em 2021, com o Brasil tendendo a ser beneficiado por essa onda de otimismo mundial.

“O cenário para 2021 é bem parecido com o que o mercado projetava para 2020 antes da pandemia. É um cenário otimista: a pandemia vai acabar por causa das vacinas, a bolsa em dólar ainda está barata para os estrangeiros, acreditamos que as reformas vão sair”, diz Knudsen.

Ao mesmo tempo, um risco que o Brasil corre, e que é apontado por 10 entre 10 analistas, é do cenário fiscal ficar no meio do caminho — se houver interrupção da agenda de reformas e se o teto de gastos, mecanismo que limita a alta de gastos à inflação do ano anterior, for desrespeitado.

Outro receio que vem se solidificando é o da inflação. “Acredito que o risco da inflação aumentar é até maior, para o desempenho da bolsa, do que o das reformas não saírem. Se os preços continuarem pressionando, o governo terá que elevar os juros, o que pode dar uma piorada na bolsa”, afirma o especialista da Vitreo.

Maiores altas do ano:

CSN (+ 125%)
Weg (+ 118 %)
PetroRio (+ 110%)

Maiores baixas do ano:

IRB (- 77%)
Cogna (- 59%)
Embraer (- 55%)

Quer tirar suas dúvidas sobre o Imposto de Renda de 2021? Mande sua pergunta por e-mail (faleconosco@6minutos.com.br), Telegram (t.me/seisminutos) ou WhatsApp (https://6minutos.uol.com.br/whatsapp).