Não é segredo para ninguém que o Ibovespa, assim como todos os índices do mundo, atravessou uma verdadeira montanha russa ao longo de 2020. Quando o cenário parecia um pouco melhor, vieram as eleições americanas e a segunda onda de coronavírus pelo mundo, e a bolsa voltou a cair em outubro.

Mas o fato é que em novembro, na esteira da definição do novo presidente dos EUA e do avanço nas vacinas, os mercados estão subindo com força, o que levanta a pergunta: será que as chances de o principal índice brasileiro fechar 2020 no azul aumentaram?

O 6 Minutos conversou com alguns analistas sobre o tema, e ouviu que esse é um cenário que se tornou mais factível.

Se ele vai se concretizar, isso dependerá de três fatores principais, os mesmos que determinam a queda no preço das ações em outubro: o cenário fiscal para o Brasil, o andamento dos novos casos de covid no mundo e como caminhará a contestação por Donald Trump da vitória do democrata Joe Biden nas eleições americanas.

“Tivemos esses eventos binários, como as eleições presidenciais americanas e a segunda onda de covid. Mas acredito que a tendência primária de alta do Ibovespa, construída após os primeiros impactos da pandemia, deve continuar”, avalia Rafael Panonko, analista-chefe da Toro Investimentos.

Veja abaixo o detalhamento dos principais fatores de impacto para a bolsa, lembrando que o Ibovespa começou o ano acima de 115 mil pontos e hoje está em 105 mil.

Cenário fiscal

Se eventos como eleições nos EUA e segunda de covid são temporários, as preocupações com as contas públicas no Brasil devem se manter no radar por bastante tempo, e tendem a se tornar mais evidentes neste final de ano.

Uma das definições mais importantes nesse aspecto é como será a substituição e ampliação do programa social Bolsa Família, já que vivemos um cenário em que a dívida bruta brasileira em relação ao PIB (Produto Interno Bruto) deve ultrapassar os 100% nos próximos anos, como admitiu o Tesouro Nacional.

Analistas também se preocupam com a viabilidade da votação, ainda em 2020, do Orçamento de 2021.

“A parte fiscal brasileira realmente precisa andar mais. Esse é um risco específico do Brasil. Precisamos ver o andamento das reformas, já que nenhuma anda”, aponta Knudsen.

Para Luís Sales, analista da Guide Investimentos, tudo indica que até a eleição novo presidente da Câmara, em 2021, as reformas ficarão sem andamento. “O fiscal ainda anda incerto, com os juros futuros pressionados, o que impacta setores de infraestrutura, saneamento e energia”.

Segunda onda de coronavírus

Junto com o acirramento do clima das eleições americanas, a segunda onda de coronavírus na Europa e nos EUA azedou o clima nos mercados entre a última semana de outubro e o início de novembro.

No início desta semana, o anúncio da Pfizer de que sua vacina alcançou 90% de imunidade nos testes fez o mercado se tornar muito mais otimista em relação a esse cenário.

O Ibovespa está com uma queda de 8% no ano. “Subir esse tanto até dezembro é impossível? Não, porque está bem depreciado. A questão é que para a bolsa retomar terreno algumas coisas precisam acontecer”, avalia Rodrigo Knudsen, gestor da Vitreo.

Para ele, um desses fatores é a melhoria no cenário para a pandemia. “O coronavírus vai naturalmente se enfraquecendo, com queda no número de mortes, e a cada dia que passa a chance de uma vacina efetiva aumenta”.

Eleições americanas

O mercado comemorou a vitória do democrata Joe Biden porque, além de sinalizar um pacote muito mais polpudo de estímulos à economia dos EUA, ela veio junto com um Senado de maioria republicana.

A avaliação dos investidores é que isso pode ajudar a moderar o ímpeto gastador que caracteriza os democratas e também eventuais decisões de alta de impostos ou mais regulação sobre setores.

Por outro lado, há a resistência de Donald Trump em admitir a derrota e criar as condições necessárias para a transição, o que pode prolongar a incerteza do cenário político na maior economia do mundo.

Esse é um risco que parece ter diminuído, na avaliação de João Beck, economista e sócio da BRA, escritório credenciado da XP Investimentos. ”

Algumas sinalizações de pessoas chaves do partido republicano de que a aceitação de Trump seria uma questão de tempo, além das recentes derrotas de processos judiciais no tribunal eleitoral, diminui o risco de uma indefinição política”, afirma.

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